Quase 70% dos trabalhadores ocupados no Brasil ganham até dois salários mínimos por mês, revela um levantamento inédito com base nos microdados da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente representa 69,1% da população ocupada no país, cerca de 103,1 milhões de pessoas no mercado formal e informal, que vivem com até R$ 3.242 mensais, considerando o piso nacional vigente de R$ 1.621 no segundo trimestre de 2026.
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O levantamento foi realizado pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence e divulgado pelo Valor Econômico. A fatia mais volumosa da população ocupada concentra-se justamente entre um e dois salários mínimos. São 36,9% dos trabalhadores situados nesse intervalo.
Ao somar esse grupo aos que recebem até um salário mínimo (32,2%), a pesquisa consolida a expressiva marca de quase 70% da força de trabalho do país operando com rendimentos de até R$3.242 por mês.
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ToggleComo estão distribuídos os salários?
33,2 milhões de trabalhadores no Brasil recebiam exatamente um salário mínimo mensal entre abril e junho de 2026. Esse contingente faz parte da distribuição geral por faixa de renda observada no mercado de trabalho brasileiro:
- Sem rendimento: 1,8% (composto sobretudo por trabalhadores familiares auxiliares)
- Entre R$ 1 e meio salário mínimo: 9,4%, corresponde a R$810,50
- De meio a um salário mínimo: 21%
- De um a dois salários mínimos: 36,9%
- Acima de dois salários mínimos: 30,9%
O grupo superior a dois salários mínimos engloba 31,86 milhões de pessoas. No entanto, o topo dessa pirâmide permanece extremamente restrito. Apenas 1,8% dos ocupados ganhavam entre 10 e 20 salários mínimos (entre R$ 16.210 e R$ 32.420), enquanto uma fatia de 0,5% alcançava rendimentos superiores a 20 pisos nacionais (R$ 32.421 ou mais).
Desigualdade entre Nordeste e Sul
A disparidade na renda dos trabalhadores ganha contornos marcantes na comparação regional. No Nordeste, 55,9% da população ocupada recebia até um salário mínimo no segundo trimestre. Em sentido oposto, o Sul registrou a taxa de apenas 17,3% nessa mesma condição, ficando muito abaixo da média nacional de 32,2%.
A oscilação atinge os pontos extremos da curva quando analisada por estados. O Maranhão lidera o indicador com a maior proporção de trabalhadores limitados a até um piso nacional (58,5%). Na outra ponta do ranking, Santa Catarina destaca-se com a menor taxa do Brasil: apenas 11,6% dos ocupados catarinenses recebiam até um salário mínimo no período analisado.
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Em 2026, a proporção de trabalhadores do mercado formal ou informal subiu de 30% no primeiro trimestre para 32,2% no segundo trimestre. Esse percentual está abaixo dos 33,3% registrados no segundo trimestre do último ano.
A renda média do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.738 no segundo trimestre de 2026, montante correspondente a 2,3 salários mínimos. Esse indicador sintético, contudo, camufla a real arquitetura da distribuição de renda no país.
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A distorção ocorre porque o cálculo da média ponderada no mesmo conjunto inclui tanto a massa de trabalhadores sem remuneração direta ou situados abaixo de meio salário mínimo, quanto a minoria de altíssima renda.
Na prática, a barreira dos R$ 3.242 mensais divide o mercado de trabalho em dois mundos desproporcionais, deixando a esmagadora maioria dos brasileiros retida nas faixas salariais de base.
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Você sabia?
O novo salário mínimo de 2027 pode subir para R$ 1.741, valor R$ 120 maior do que o piso atual e R$ 24 acima da última estimativa divulgada em abril. A atualização na projeção do governo federal reflete o ajuste na estimativa da inflação (INPC) feita pelo Ministério da Fazenda, combinada ao crescimento real do PIB.
O salário mínimo é balizador para o mercado de trabalho como um todo e não só o formal. E o que vemos é que a grande maioria ganha no máximo dois salários mínimos, então o reajuste dita a regra do jogo da renda no país, afirmou o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence ao Valor Econômico.
O montante fará parte da proposta do Orçamento da União entregue ao Congresso, impactando diretamente aposentadorias e benefícios. A confirmação oficial do reajuste dependerá do índice inflacionário consolidado até novembro.
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*Com edição de Nicoly Souza



