Um artigo publicado recentemente na revista científica JGR Solid Earth traz uma nova explicação para a origem e o comportamento daquele que é considerado o vulcão mais ativo da Europa. Localizado na ilha da Sicília, na Itália, o Monte Etna registra erupções frequentes há centenas de milhares de anos, algo incomum entre grandes vulcões do planeta.
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Os pesquisadores afirmam que o Etna pode funcionar de uma forma diferente da maioria dos vulcões conhecidos. Enquanto muitos passam décadas sem atividade, o vulcão italiano costuma apresentar pequenas erupções várias vezes por ano. O estudo busca entender por que isso acontece e o que o torna tão singular.
Em resumo:
- Monte Etna apresenta erupções frequentes, incomuns entre grandes vulcões no mundo;
- Não se encaixa nos modelos vulcânicos tradicionais conhecidos;
- Lava possui características químicas parecidas com vulcões de pontos quentes;
- Fraturas tectônicas permitem subida constante de pequenas quantidades de magma;
- Cientistas associam atividade contínua à interação entre placas africana e eurasiática.
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ToggleComo surgem os vulcões
Normalmente, os vulcões surgem por três mecanismos principais. O primeiro ocorre quando placas tectônicas se afastam, abrindo espaço para o magma subir do interior da Terra. Esse processo é mais comum no fundo dos oceanos, onde o material quente do manto terrestre consegue alcançar a superfície.
O segundo mecanismo acontece nas chamadas zonas de subducção. Nelas, uma placa tectônica mergulha sob outra, levando água e outros materiais para regiões profundas do planeta. Isso reduz a temperatura necessária para derreter as rochas do manto e favorece erupções explosivas, como as observadas no chamado Círculo de Fogo do Pacífico.
Já o terceiro processo envolve os chamados pontos quentes do manto. Nessas regiões, o calor vindo das profundezas enfraquece a crosta terrestre até o magma conseguir escapar. Esse fenômeno é responsável pela formação de áreas vulcânicas como o Havaí.

Monte Etna não se encaixa em nenhum modelo
O problema é que o Monte Etna não se encaixa perfeitamente em nenhum desses modelos. O magma encontrado no vulcão possui características químicas parecidas com as de vulcões formados por pontos quentes. Porém, não existe nenhum ponto quente conhecido sob a Sicília.
Ao mesmo tempo, o Etna está localizado próximo ao encontro entre as placas tectônicas africana e eurasiática, uma área típica de subducção. Mesmo assim, o magma produzido ali é diferente do normalmente observado nesse tipo de ambiente geológico.
Segundo os cientistas, isso ajuda a explicar por que o Etna apresenta erupções menores e mais frequentes, em vez de grandes explosões destrutivas. Para a população da Sicília, isso representa um risco menor em comparação com outros vulcões mais violentos do mundo.

O estudo foi liderado pelo pesquisador Sébastien Pilet, da Universidade de Lausanne, na Suíça. A equipe analisou a composição química das lavas emitidas pelo Etna ao longo de sua história geológica e descobriu mudanças importantes nos últimos 250 mil anos.
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Os resultados mostram que a lava se tornou mais alcalina com o passar do tempo, aproximando-se da composição típica de vulcões ligados a pontos quentes. Isso indica que o magma pode vir diretamente do manto superior da Terra, sem passar pelos processos mais comuns observados em outros vulcões.
Os pesquisadores acreditam que o Etna recebe pequenas quantidades de magma constantemente. Essas infusões ocorreriam devido ao choque entre as placas tectônicas africana e eurasiática, que cria fraturas na crosta terrestre. O magma aproveitaria essas rachaduras para subir em direção à superfície.
Vulcão atua como ponto de atração de magma
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O estudo sugere ainda que o Etna funciona como um ponto de atração para o magma presente em uma área extensa, podendo puxar material vindo de até 50 quilômetros de distância. Isso ajudaria a manter o vulcão ativo quase continuamente.
Os autores compararam o Etna a um raro tipo de vulcão conhecido como “petit-spot”, identificado anteriormente no fundo do mar próximo ao Japão. Esses pequenos vulcões submarinos também parecem surgir quando placas tectônicas sofrem rachaduras, permitindo a passagem do magma.
A diferença é que os “petit-spots” costumam ser muito pequenos, enquanto o Monte Etna possui mais de 3 mil metros de altura e uma longa história de atividade vulcânica. Para os cientistas, isso mostra que um mecanismo considerado raro pode ser capaz de formar estruturas vulcânicas gigantes.
Na conclusão do estudo, os pesquisadores afirmam que a atividade incomum do Etna pode ser explicada apenas pela complexa interação entre as placas tectônicas da região. Assim, não seria necessário imaginar uma composição especial do interior da Terra para justificar o comportamento único do vulcão italiano.
Fonte Original | Notícias – Olhar Digital





