O Exército dos Estados Unidos começou a treinar suas tropas com uma nova munição que promete mudar a forma como a infantaria lida com drones de ataque. Batizada de Drone Round, ela se parece com um cartucho comum de fuzil — mas, ao ser disparada, se transforma em uma pequena espingarda.
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Desenvolvida pela empresa Drone Round Defense, a munição está disponível nos calibres 5,56x45mm e 7,62x51mm, os mesmos usados pelos fuzis padrão da OTAN. Internamente, o projétil carrega de cinco a oito mini-chumbos que se dispersam após o disparo, criando uma nuvem de estilhaços capaz de abater drones pequenos e rápidos, como os modelos FPV (visão em primeira pessoa) e quadricópteros comerciais, a distâncias de 50 a 100 metros.
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ToggleDa caça de pragas à guerra moderna
A tecnologia não é inteiramente nova. Nos Estados Unidos, caçadores e fazendeiros usam há décadas os chamados “cartuchos para controle de pragas” — munições que, em vez de uma bala única, liberam minúsculos chumbos para abater animais pequenos e rápidos, como coiotes, raposas e até cascavéis. O princípio é o mesmo: aumentar a probabilidade de acerto no primeiro tiro.
O problema é que, para usar esse tipo de munição, o atirador precisaria de uma espingarda — uma arma que não é padrão na infantaria, tem cadência de tiro lenta e potência limitada. O Drone Round resolve as três desvantagens de uma só vez.
Vantagens sobre a espingarda
Ao usar o cartucho especial em um fuzil de assalto comum (como o M4), o soldado mantém a cadência de tiro de até 950 disparos por minuto, muito superior à de qualquer espingarda semiautomática. Além disso, o impacto de cada mini-projétil é o dobro do de um cartucho de escopeta comum, garantindo mais poder de parada contra alvos aéreos.
Outra vantagem é que a munição funciona em armas alimentadas por fita e pode ser usada com silenciadores, sem qualquer modificação no fuzil. Isso permite que um pelotão inteiro troque apenas os carregadores e, de repente, transforme suas armas em canhões antiaéreos portáteis.
O Exército dos EUA iniciou treinamento de familiarização em nível de unidade com o Drone Round, o que indica que o sistema avançou para o estágio de implantação operacional. A medida reflete a crescente ameaça representada por drones baratos e de difícil interceptação, que se tornaram onipresentes em conflitos como o da Ucrânia.
Com um simples carregador, a infantaria ganha uma nova camada de defesa contra enxames de pequenos drones — sem precisar carregar equipamento extra.

Lucas Soares
Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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Fonte Original | Notícias – Olhar Digital



