O debate que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil ultrapassou os limites do Congresso Nacional e mobiliza entidades patronais e representantes dos trabalhadores em todo o país. Para jogar luz sobre as consequências econômicas da medida, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou uma análise que calcula os prazos e os desafios operacionais dessa transição.
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O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que a legislação não pode ignorar a capacidade real de pagamento das empresas e os gargalos do país.
“O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica. O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente. E esse ainda é um desafio importante para o Brasil”, explica Alban.
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O executivo conclui reforçando que uma alteração forçada pode trazer prejuízos para toda a sociedade: “Não existe redução de jornada imposta por lei que não afete empregos, salários e produção. Nos três cenários, os trabalhadores perdem”.
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TogglePrazos e projeções da produtividade
A CNI calcula que o país pode levar de 15 a 30 anos para acumular ganhos de produtividade suficientes para cobrir os custos da nova escala sem cortar salários.
Se a jornada de trabalho cai, mas o salário permanece o mesmo, o custo por hora trabalhada aumenta. Para o empresário não ter prejuízo, a produção por hora precisa crescer no mesmo ritmo.
Segundo a CNI, a mudança para um novo regime provocará uma queda de 7,8% no total de horas trabalhadas no país. Para manter o mesmo nível de entregas e produtos no mercado sem reduzir os salários atuais, o Brasil precisará registrar um salto imediato de 8,3% a 8,5% na sua produtividade geral.
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Raio-x do desempenho do trabalhador
Qual é a atual situação da produtividade do trabalhador brasileiro?
O país enfrenta um atraso histórico nesse indicador. Atualmente, a indústria brasileira ocupa o 100º lugar no ranking mundial de capacidade de produção por trabalhador e a 91ª posição quando calculada a produção por hora trabalhada. Entre 1981 e 2024, o ganho de eficiência do país foi de apenas 0,5% ao ano, caindo para 0,28% nos últimos seis anos.
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Nesse ritmo lento, o Brasil precisaria de até 17 anos para compensar as perdas da nova jornada.
Setores econômicos mais afetados
Quais setores sentem mais o impacto?
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- Atividades que exigem funcionamento contínuo, como comércio, supermercados, hotéis, hospitais, transporte e plantas industriais de grande porte.
- Agropecuária: precisará aumentar sua produtividade em 13,6%.
- Comércio e serviços: exigirá um ganho de eficiência de 10,6%.
*Com edição de Nicoly Souza



