Cientistas investigam efeito das canetas emagrecedoras no câncer

Facebook
Twitter
LinkedIn
Threads
WhatsApp
Cientistas investigam efeito das canetas emagrecedoras no câncer

Medicamentos usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 podem ter uma nova função em estudo: ajudar no controle de alguns tipos de câncer. Pesquisas apresentadas na ASCO 2026 apontam possíveis benefícios dos agonistas de GLP-1 na redução de metástases.

Continua após a publicidade

Segundo a RFI, os resultados chamaram atenção ao indicar efeitos positivos em tumores de pulmão, mama, colorretal e fígado. Apesar da descoberta, especialistas reforçam que os dados ainda precisam de confirmação.

Câncer de pulmão, mama, colorretal e fígado tiveram os resultados mais promissores nos estudos. – Imagem: Lightspring/Shutterstock

Estudos abrem nova possibilidade para medicamentos conhecidos

As chamadas canetas emagrecedoras começaram a ser avaliadas em pesquisas sobre câncer há cerca de cinco anos. Os resultados mais recentes foram apresentados durante a ASCO 2026, realizada em Chicago, nos Estados Unidos.

O estudo analisou informações de mais de 12 mil pacientes de diferentes regiões do mundo, com cânceres em estágios iniciais e intermediários. A comparação envolveu pessoas tratadas com agonistas de GLP-1 e pacientes que receberam outros medicamentos usados no controle do diabetes.

Entre as substâncias avaliadas estavam:

  • liraglutida;
  • pramlintida;
  • dulaglutida;
  • tirzepatida;
  • lixisenatida;
  • semaglutida.

A pesquisa apontou redução significativa na progressão de metástases principalmente em quatro tipos de câncer: pulmão de não pequenas células, mama, colorretal e fígado. Já nos tumores de próstata, pâncreas e rim, apareceram sinais de benefício, mas sem confirmação estatística.

Mulher aplicando caneta emagrecedora na barriga
Especialistas reforçam que o uso de medicamentos para emagrecer deve ter acompanhamento médico. – Imagem: Kokosha Yuliya/Shutterstock

Especialista destaca limites e cuidados no uso

Os resultados são considerados promissores, mas ainda não significam que as canetas emagrecedoras sejam tratamentos contra o câncer. O oncologista clínico brasileiro Paulo Henrique Costa, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e integrante da Rede Mater Dei, explica que os estudos disponíveis ainda têm limitações.


Não é um ensaio clínico randomizado. Nesse tipo de estudo, você divide os participantes em grupos: um recebe o tratamento, e outro, não, o que permite obter uma evidência muito mais sólida, quase irrefutável.

Paulo Henrique Costa, oncologista clínico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e integrante da Rede Mater Dei, à RFI.

Costa também chama atenção para o uso sem acompanhamento médico, especialmente diante do crescimento de um mercado paralelo de medicamentos obtidos sem receita.

“Sem sair usando esse medicamento de forma indiscriminada”, reforçou o especialista, ao destacar que o controle da obesidade, uma alimentação adequada e hábitos saudáveis continuam sendo medidas importantes para reduzir riscos.

mulher diabetica medindo o valor com aparelho
Do controle da glicose ao combate à inflamação: cientistas investigam novos caminhos para os GLP-1. – Imagem: freepik/Freepik

Continua após a publicidade

Nova linha de pesquisa envolve inflamação e células tumorais

Além da perda de peso e do controle da glicose, os pesquisadores avaliam se os agonistas de GLP-1 podem influenciar processos ligados ao câncer, como inflamação, funcionamento do sistema imunológico e comportamento das células tumorais.

“Existem novas evidências de que pode haver um efeito direto”, afirmou Costa.

Segundo o especialista, essas moléculas parecem atuar sobre receptores presentes nas células tumorais, mas esse possível mecanismo ainda precisa ser melhor compreendido.

Os estudos também observaram que pacientes com câncer que utilizavam essas medicações apresentaram sinais de menor progressão da doença e menor risco de metástases. A hipótese é que o controle da obesidade, considerada um fator de risco importante, possa contribuir para melhores resultados no acompanhamento oncológico.

Continua após a publicidade

A ASCO 2026 reuniu mais de sete mil estudos sobre avanços na oncologia. Um dos destaques foi o daraxonrasib, medicamento que atua sobre a proteína KRAS e representa uma nova abordagem contra o câncer de pâncreas.

Para Costa, novas descobertas ajudam a ampliar o conhecimento sobre uma doença ainda desafiadora. “A oncologia é construída assim: ela vai somando conhecimento ao longo do tempo. Com certeza, tudo o que chega para a gente com dados tão importantes como esses amplia o nosso entendimento da doença e contribui para o controle de uma condição que ainda é tão desafiadora para o mundo”, afirmou.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Ver todos os artigos →


!function(f,b,e,v,n,t,s){
if(f.fbq)return;
n=f.fbq=function(){n.callMethod?n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)
}(window, document,’script’, ‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘1221644929160171’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte Original | Notícias – Olhar Digital

Contribua com o Portal para mantermos ele sempre ativo com as melhores informações

Deixe uma resposta

Veja também