Imagine ter um gato que, de repente, começa a demorar mais em suas andanças. Ele fica mais tempo fora de casa até que, enfim, desaparece. Esse foi o caso de Pauline, que começou a notar o sumiço de sua gata, Luka, que estava sendo lentamente “seduzida”.
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A poucos metros de sua casa, uma vizinha oferecia tudo de bom e do melhor, como salmão fresco, patê e cama quente para manter a gata por perto. Pauline tentou argumentar. Porém, a outra mulher foi concisa: se Luka entrasse por vontade própria, não seria impedida e também continuaria recebendo comida.
Tudo piorou quando, em determinado momento, a mulher disse que queria ficar com o animal. O caso foi relatado pelo The Guardian, que reuniu outras histórias semelhantes no Reino Unido. O fenômeno ganhou até apelido: os “sedutores de gatos”, ou cat seducers.
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ToggleUma segunda casa
Cada caso é diferente, mas eles reúnem elementos em comum. Mesmo gatos com identificação e coleira começam a receber comida especial, camas e outros agrados e, em alguns episódios, voltam para casa até com novas coleiras.
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Em Norwich, Alison Ward contou ao The Guardian que um de seus gatos voltou usando uma coleira fluorescente colocada por pessoas que acreditavam que ele havia se tornado o gato delas. Os moradores também haviam comprado cesta, potes e comida para o animal.
A atração por esses estímulos já foi investigada cientificamente. Em 2017, um estudo publicado na revista Behavioural Processes apresentou a gatos domésticos e de abrigos opções envolvendo interação humana, alimento, brinquedos e cheiros. Houve variação individual, mas a interação com pessoas foi a categoria preferida pela maioria, seguida pela comida.
O trabalho não estudou gatos “seduzidos” por vizinhos nem a escolha entre duas residências, mas ajuda a mostrar que comida não é o único estímulo relevante. Atenção, brincadeiras e contato social também podem ter peso para determinados animais.
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Daniel Warren-Cummings, especialista em comportamento da Cats Protection, também apontou ao The Guardian fatores que podem levar um gato a procurar outros lugares. Entre eles estão reformas que alteram o ambiente, a chegada de novos animais à casa, conflitos com outros felinos e o tédio.
Até onde é crime?
Na Inglaterra e na Irlanda do Norte, o conflito chegou também à legislação. O Pet Abduction Act de 2024 criou um crime específico para quem retira um gato do controle legítimo de outra pessoa.
O texto inclui situações em que alguém provoca ou induz o gato a acompanhá-lo, embora também preveja como defesa a existência de autoridade legal ou de uma justificativa razoável para retirar o animal daquele controle.
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Na prática, a fronteira continua difícil de desenhar quando o gato entra sozinho por uma janela aberta. No caso de Pauline, ela tentou mudar a rotina, melhorar o ambiente doméstico, instalar um rastreador e manter Luka dentro de casa por quatro semanas para tentar reorganizar seu território.
Aos poucos, a gata voltou a passar mais tempo com ela. E a pequena Luka parecia alheia à disputa enquanto usufruía de duas casas, dois sofás e duas pessoas dispostas a recebê-la.



