Vizinhos ‘sedutores de gatos’ atraem os bichanos com salmão e patê até eles trocarem de donos

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Casos no Reino Unido mostram gatos domésticos sendo alimentados e acolhidos por vizinhos (Foto: Esra Afşar / Unsplash)

Imagine ter um gato que, de repente, começa a demorar mais em suas andanças. Ele fica mais tempo fora de casa até que, enfim, desaparece. Esse foi o caso de Pauline, que começou a notar o sumiço de sua gata, Luka, que estava sendo lentamente “seduzida”.

A poucos metros de sua casa, uma vizinha oferecia tudo de bom e do melhor, como salmão fresco, patê e cama quente para manter a gata por perto. Pauline tentou argumentar. Porém, a outra mulher foi concisa: se Luka entrasse por vontade própria, não seria impedida e também continuaria recebendo comida.

Tudo piorou quando, em determinado momento, a mulher disse que queria ficar com o animal. O caso foi relatado pelo The Guardian, que reuniu outras histórias semelhantes no Reino Unido. O fenômeno ganhou até apelido: os “sedutores de gatos”, ou cat seducers.

Uma segunda casa

Cada caso é diferente, mas eles reúnem elementos em comum. Mesmo gatos com identificação e coleira começam a receber comida especial, camas e outros agrados e, em alguns episódios, voltam para casa até com novas coleiras.

Em Norwich, Alison Ward contou ao The Guardian que um de seus gatos voltou usando uma coleira fluorescente colocada por pessoas que acreditavam que ele havia se tornado o gato delas. Os moradores também haviam comprado cesta, potes e comida para o animal.

A atração por esses estímulos já foi investigada cientificamente. Em 2017, um estudo publicado na revista Behavioural Processes apresentou a gatos domésticos e de abrigos opções envolvendo interação humana, alimento, brinquedos e cheiros. Houve variação individual, mas a interação com pessoas foi a categoria preferida pela maioria, seguida pela comida.

O trabalho não estudou gatos “seduzidos” por vizinhos nem a escolha entre duas residências, mas ajuda a mostrar que comida não é o único estímulo relevante. Atenção, brincadeiras e contato social também podem ter peso para determinados animais.

Daniel Warren-Cummings, especialista em comportamento da Cats Protection, também apontou ao The Guardian fatores que podem levar um gato a procurar outros lugares. Entre eles estão reformas que alteram o ambiente, a chegada de novos animais à casa, conflitos com outros felinos e o tédio.

Até onde é crime?

Na Inglaterra e na Irlanda do Norte, o conflito chegou também à legislação. O Pet Abduction Act de 2024 criou um crime específico para quem retira um gato do controle legítimo de outra pessoa.

O texto inclui situações em que alguém provoca ou induz o gato a acompanhá-lo, embora também preveja como defesa a existência de autoridade legal ou de uma justificativa razoável para retirar o animal daquele controle.

Na prática, a fronteira continua difícil de desenhar quando o gato entra sozinho por uma janela aberta. No caso de Pauline, ela tentou mudar a rotina, melhorar o ambiente doméstico, instalar um rastreador e manter Luka dentro de casa por quatro semanas para tentar reorganizar seu território.

Aos poucos, a gata voltou a passar mais tempo com ela. E a pequena Luka parecia alheia à disputa enquanto usufruía de duas casas, dois sofás e duas pessoas dispostas a recebê-la.

Fonte Original | NSC Total

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