Unicamp transforma bactéria em chave para o etanol do futuro

Facebook
Twitter
LinkedIn
Threads
WhatsApp
Unicamp transforma bactéria em chave para o etanol do futuro

O etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar, representa uma alternativa para ampliar a fabricação de biocombustíveis sem aumentar a área cultivada. Diferentemente do etanol convencional, ele aproveita materiais que permanecem após a produção de açúcar e do etanol de primeira geração.

Continua após a publicidade

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em cooperação com instituições dos Estados Unidos, busca enfrentar um dos principais obstáculos dessa tecnologia: o custo e a eficiência do processo produtivo. O estudo criou bactérias modificadas geneticamente capazes de elevar o rendimento da produção de etanol.

O trabalho foi realizado no Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp e resultou em uma tecnologia protegida por patente e licenciada para a empresa norte-americana Terragia Biofuel. Os testes iniciais indicaram aumento de rendimento de até quase 30% em relação às bactérias não modificadas.

Da biomassa da cana à nova geração de biocombustíveis

Layse Costa de Souza, uma das inventoras da tecnologia – (Reprodução: Catha Mayor)

O E2G utiliza como matéria-prima o bagaço e outros resíduos vegetais que permanecem após o processamento da cana-de-açúcar. Esses materiais contêm açúcares presos em estruturas fibrosas, que podem ser liberados por processos de tratamento e hidrólise para gerar mais etanol.

A principal diferença em relação ao etanol de primeira geração está justamente no aproveitamento desse material residual. Enquanto o modelo tradicional utiliza principalmente o caldo da cana, a segunda geração busca transformar partes antes descartadas em fonte adicional de combustível.

Além de ampliar o aproveitamento da biomassa, o E2G apresenta menor impacto ambiental. Isso porque suas emissões de gases de efeito estufa podem ser até 80% inferiores às do etanol comum e até 93% menores quando comparadas às da gasolina.

Apesar dessas vantagens, a produção em escala industrial ainda enfrenta desafios econômicos. O método convencional de fabricação do E2G depende de etapas de tratamento da biomassa e do uso de enzimas para liberar os açúcares necessários à fermentação, fatores que aumentam os custos do processo.

A pesquisa conduzida pela Unicamp propõe uma rota diferente, baseada no chamado Bioprocessamento Consolidado (CBP). A estratégia utiliza bactérias anaeróbias termofílicas capazes de degradar a biomassa e realizar a fermentação em uma única etapa, reduzindo a necessidade de procedimentos anteriores.


Luana Walravens Bergamo, pesquisadora do CBMEG, acompanha o desempenho das bactérias modificadas diante de desafios industriais
Luana Walravens Bergamo, pesquisadora do CBMEG, acompanha o desempenho das bactérias modificadas diante de desafios industriais – (Divulgação: Unicamp)

O estudo envolveu a bactéria Clostridium thermocellum, conhecida pela capacidade de decompor celulose, e a Thermoanaerobacterium thermosaccharolyticum, microrganismo com maior eficiência na produção de etanol. A proposta dos pesquisadores foi unir características complementares desses organismos por meio de engenharia genética.

A pesquisa de doutorado de Layse Costa de Souza, desenvolvida no CBMEG da Unicamp, investigou quais proteínas estavam associadas ao alto desempenho da bactéria produtora de etanol. A partir dessa identificação, os genes relacionados a essas proteínas foram inseridos na bactéria utilizada no processo CBP.

O resultado foi uma linhagem modificada com capacidade ampliada de produção. Nos experimentos realizados em laboratório, uma das versões desenvolvidas apresentou aumento do rendimento de 59,8% para 88,5% do máximo teórico após a inserção de uma hidrogenase específica.

Continua após a publicidade

O estudo também trouxe uma nova interpretação sobre o papel do hidrogênio no metabolismo dessas bactérias. A equipe identificou que uma enzima chamada HfsD, antes vista como possível competidora da produção de etanol, participa de mecanismos importantes para o equilíbrio químico necessário à formação do biocombustível.

A descoberta pode contribuir para aprimorar futuras estratégias de engenharia metabólica, pois indica que melhorar a produção de etanol não depende apenas de aumentar a atividade de determinadas proteínas, mas também de controlar o equilíbrio de moléculas envolvidas nas reações celulares.

Os experimentos ainda estão restritos à escala de bancada e precisam passar por avaliações maiores antes de uma aplicação industrial. Entre os próximos desafios estão testar o desempenho das bactérias modificadas em biorreatores e verificar se os resultados obtidos em laboratório permanecem em volumes ampliados.

Continua após a publicidade

O projeto foi desenvolvido dentro do Laboratório de Biocombustíveis Avançados de Segunda Geração da Unicamp, com participação de pesquisadores brasileiros e norte-americanos. A tecnologia recebeu proteção por patente e seguirá para etapas de ampliação conduzidas pela empresa licenciada.

Wagner Edwards

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

Ver todos os artigos →


!function(f,b,e,v,n,t,s){
if(f.fbq)return;
n=f.fbq=function(){n.callMethod?n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)
}(window, document,’script’, ‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘1221644929160171’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte Original | Notícias – Olhar Digital

Contribua com o Portal para mantermos ele sempre ativo com as melhores informações

Deixe uma resposta

Veja também