Rua “50 tons de cinza” de Blumenau segue sem previsão de pavimentação

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Rua "50 tons de cinza" de Blumenau segue sem previsão de pavimentação

Quem depende no dia a dia da Rua Bahia, a que mais registra acidentes em Blumenau, já sabe com o que terá que lidar. O solo irregular coloca à prova a suspensão dos veículos, os asfaltos são tão remendados que parecem mais com uma colcha de retalhos e há obstáculos aqui e ali que causam dores de cabeça e insegurança há uma década. A prefeitura reconhece que uma nova pavimentação completa é necessária, mas afirma que ainda busca recursos e não há uma previsão.

“50 tons de cinza, né? É uma vergonha. A gente paga impostos, eles não têm que consertar aqui? E por que não conserta?” desabafa a recepcionista Scheila Caroline Borges de Lima à repórter Patrícia Hadlich, da NSC TV.

O que a rua viu ao longo dos anos foram remendos atrás de remendos. Vista do alto, a diferença de uma pista e outra fica nítida. De um lado, no sentido Indaial, com asfalto. De outro, sentido Centro de Blumenau, remendos em diferentes tons chegam a se sobrepor.

Confira como está a Rua Bahia

Problema de mais de uma década

O problema não é de hoje e se arrasta por mais de uma década, com o trecho mais crítico se estendendo por mais de um quilômetro. Os remendos na rua movimentada foram tantos que nem a faixa de pedestre sobrou para contar história e tem uma parte escondida sobre as camadas acumuladas de asfalto. Alguns desses retalhos cobriram até a pintura da divisória da pista, o que aumenta ainda mais o risco de acidentes.

“Tem que tirar o asfalto todo e botar o asfalto novo. Ficam só fazendo remendo, e isso pode estragar o carro da gente”, elabora o motorista Peterson Sales.

Na altura do número 7.800, o motorista precisa reduzir a velocidade e dobrar a atenção porque, no sentido Centro, é um longo trecho com muitos obstáculos, um verdadeiro teste de suspensão para os veículos.

“Não é fácil, tem que passar sempre bem devagar para não causar dano, especialmente a gente que gosta de carro um pouco mais baixo, mais antigo. Querendo ou não, é difícil, é ruim”, reclama o marceneiro Ângelo Alberto Cechetto.

Ademir Richter, que tem um comércio na rua, chegou a perder as contas de quantas vezes já registrou reclamações na prefeitura ao longo de várias administrações para cobrar melhorias na via. Ele chegou a reunir 3 mil assinaturas cobrando um asfalto novo, mas até agora nada.

“Acho isso aí uma coisa muito ingrata, com um povo que trabalha tanto, paga tanto imposto…”, conta o comerciante.

O que diz a prefeitura

A Secretaria de Obras afirma que a operação mais recente na rua foi feita pela prefeitura na semana passada, na segunda (17) e terça-feira (18), em uma operação tapa-buracos, uma medida paliativa, com foco nos pontos que apresentavam um risco maior aos motoristas. Porém, garante que a manutenção de outros trechos da via também está prevista para os próximos dias.

Ao ser indagada sobre se tratar de um problema de uma década, a secretaria afirma não poder responder por administrações passadas. A prefeitura afirma seguir em busca de recursos para uma nova pavimentação completa, mas que não é possível dar uma previsão de quando isso aconteceria.

“O projeto conta com a complexidade das obras de infraestrutura subterrânea. A via precisa de uma nova camada de asfalto, da substituição completa da base, melhorias no sistema de drenagem pluvial e remanejamento de redes de serviços essenciais”, explica.

Rua mais violenta da cidade

Com 112 acidentes registrados pela Guarda Municipal de Trânsito (GMT) ao longo de 2024, a Rua Bahia foi campeã entre as ruas mais violentas da cidade pelo segundo ano consecutivo. Com quase 10 quilômetros de extensão, a via corta ao menos três bairros, sendo eles Passo Manso, Salto Weissbach e do Salto.

Um acidente na Rua Bahia foi registrado no começo deste mês, na segunda-feira (3), quando um motociclista de 46 anos morreu ao perder o controle da motocicleta e bater em um poste. Neste ano, a via registrou um total de 56 acidentes desde janeiro enquanto a Rua Amazonas, que está em segundo lugar no ranking das mais violentas, teve 53 ocorrências.

Fonte Original | NSC Total

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