Em meio às modernidades da construção civil, prédios com fachadas deslumbrantes e arranha-céus cada vez mais altos, uma rua pacata em Itajaí guarda memórias de um tempo distante. Quem passa pela Rua José Russi, no bairro Vila Operária, pode experienciar uma viagem no tempo para a década de 1920, época em que o bairro foi constituído e as primeiras casas foram instaladas.
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No registro compartilhado por Jhonatta da Silva, que fala sobre viagens e cultura brasileira nas redes sociais, é possível notar que a rua é composta inteiramente por casas, sem pédios. A grande maioria é feita em madeira e pintada de um tom de cinza claro com pequenos detalhes em verde. Com um aspecto de “casinha de vó”, as residências chamam a atenção por preservarem características da arquitetura de décadas atrás.
Com varandas, muitas plantas e portões baixos, as residências se tornaram um atrativo à parte tanto para moradores quanto para quem visita a cidade. O cenário chama atenção justamente por fugir da paisagem urbana que se consolidou em Itajaí ao longo dos anos, marcada pela verticalização e por construções cada vez mais modernas.
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Impulsionado pela nostalgia e pela curiosidade, o registro compartilhado por Jhonatta já ultrapassou a marca de 188 mil visualizações. Nos comentários, centenas de moradores se admiraram em saber a história por trás das casinhas “congeladas” no tempo da Vila Operária. Outros, compartilharam histórias e relatos pessoais sobre o local.
“Morei 17 anos na casa 379. Temos vizinhos dessa época que se tornaram família. Uma infância maravilhosa tivemos aí, eu e meus 3 irmãos. No Dia das Crianças fechávamos a rua, colocávamos mesa, enfeites e muitas brincadeiras”, relembrou uma antiga moradora da rua.
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ToggleMais de 100 anos de história
Segundo a Prefeitura de Itajaí, a Vila Operária começou a ser formada na década de 1920 e foi o primeiro grande empreendimento particular de urbanização de Itajaí. A iniciativa surgiu oficialmente em 1924, com a criação da Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada – Construtora Catarinense, liderada pelo empresário e político José Eugênio Müller.
O nome completo era Vila Operária Pereira Oliveira, uma homenagem a Antônio Pereira da Silva e Oliveira, importante político catarinense que foi senador da república na década de 1920. A partir de 1925, começaram a ser adquiridas as terras e abertas as primeiras ruas do loteamento, que previa áreas para diferentes perfis de moradores e terrenos destinados à construção de moradias populares.
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De acordo com informações históricas, o projeto também estava ligado ao processo de industrialização de Itajaí. Ainda em 1925, a região recebeu uma fábrica de cigarros e, posteriormente, estruturas do setor têxtil, atraindo trabalhadores de diferentes pontos da cidade e de outros municípios catarinenses.
Na década de 1930, a ligação com o porto também ganhou força, quando a Caixa Beneficente dos Estivadores adquiriu terrenos próximos para oferecer moradias subsidiadas aos trabalhadores portuários.
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O crescimento do bairro foi acompanhado pela criação de espaços voltados à educação, religião, cultura e lazer. Em 1925, foi lançada a pedra fundamental da Igreja Nossa Senhora da Paz e, em 1928, inaugurado o Grupo Escolar Lauro Müller.
Nas décadas seguintes, a região também recebeu instituições de ensino e espaços comunitários, como a Sociedade Recreativa e Cultural da Vila, fundada em 1938, além do Coral Villa-Lobos e do Ginásio Gabriel José Collares.



