O que é a frente de rajada, fenômeno por trás da ventania

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O que é a frente de rajada, fenômeno por trás da ventania

Os ventos que ultrapassaram 120 km/h no Sudeste assustaram moradores e causaram estragos, como quedas de árvores, destelhamentos e interrupções no transporte. Por trás da ventania estava um fenômeno meteorológico chamado frente de rajada.

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Apesar do nome técnico, a explicação é simples: uma corrente de ar frio avançou rapidamente e empurrou o ar quente que estava sobre a região, criando uma faixa de ventos intensos.

Como funciona uma frente de rajada?

A frente de rajada acontece quando o ar frio, mais pesado, se espalha próximo ao solo e desloca o ar quente que está à frente. Esse movimento cria uma espécie de onda de vento que pode avançar por grandes áreas.

Diferentemente de uma chuva comum, a rajada pode chegar antes da precipitação ou até atingir locais onde quase não chove. O principal efeito é a mudança rápida no comportamento do vento.

No caso do Sudeste, três fatores ajudaram a fortalecer o fenômeno:

  • O calor e o tempo seco que predominavam na região;
  • A chegada de ar frio e úmido com a frente fria;
  • A diferença acentuada de temperatura e umidade entre as massas de ar.

Segundo César Soares, meteorologista da Climatempo, o cenário favoreceu o encontro entre sistemas com características opostas.

“O Sudeste estava muito quente e seco, enquanto havia uma frente fria se formando no Sul do Brasil. O ar mais úmido e frio avançou junto com esse sistema e entrou em choque com o ar mais quente e seco que estava na região”, explica em entrevista ao G1.

A frente de rajada trouxe ventos acima de 120 km/h, derrubou árvores e provocou danos em cidades do Sudeste. – Imagem: ValterCunha/iStock

Por que as rajadas passaram dos 120 km/h?

Quando duas massas de ar com propriedades muito diferentes se encontram, a atmosfera pode responder com ventos mais intensos. Foi exatamente o que ocorreu durante a passagem da frente fria pelo Sudeste.

“Esse contraste entre duas massas de ar de propriedades muito diferentes favoreceu a formação de ventos muito intensos. Na meteorologia, chamamos isso de frente de rajada”, afirma Soares.

Segundo a Defesa Civil estadual, algumas das maiores velocidades registradas em São Paulo foram:


  • 124,9 km/h em Itaí e Itaporanga;
  • 117 km/h em Taquarituba;
  • 113 km/h em Paranapanema;
  • 111 km/h em Itanhaém;
  • 104,8 km/h em Itaberá.

Além dos ventos fortes, o avanço do sistema provocou queda rápida de temperatura em algumas áreas. Na Região Metropolitana de São Paulo, locais que registravam cerca de 29°C passaram para 20°C ou 21°C em aproximadamente uma hora.

Exemplo de tornado
Apesar dos estragos, a frente de rajada não é um tornado. Os dois fenômenos têm formas diferentes de agir. – Imagem: Domenichini Giuliano/Shutterstock

Frente de rajada não é tornado

Embora possam causar danos, os dois fenômenos têm características diferentes.

O tornado é uma coluna de ar em rotação que toca o solo e costuma atingir uma área mais limitada. Já a frente de rajada forma uma faixa extensa de ventos que se espalha horizontalmente e pode alcançar várias cidades.

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A mesma frente fria esteve relacionada aos temporais no Sul do país, incluindo o tornado registrado no Rio Grande do Sul. Porém, os ventos intensos no Sudeste foram provocados pela frente de rajada.

O fenômeno mostra como mudanças rápidas na atmosfera podem transformar uma situação de calor e tempo seco em uma ocorrência de ventos extremos em poucas horas.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Fonte Original | Notícias – Olhar Digital

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