O avanço do armazenamento de energia em baterias no Brasil depende de mecanismos que permitam diversificar as receitas dos projetos. Além da remuneração pela disponibilidade de potência, a possibilidade de receber pelos serviços prestados à rede elétrica é apontada como um caminho para ampliar a viabilidade econômica da tecnologia e estimular novos investimentos no setor.
Continua após a publicidade
Em entrevista à CNN Brasil, o vice-presidente de Automação e Sistemas da WEG, Manfred Peter Johann, defendeu a combinação dessas fontes de receita para que o mercado não dependa exclusivamente do primeiro leilão de reserva de capacidade. Segundo o executivo, essa diversificação pode ampliar o uso das baterias em projetos de geração, transmissão e distribuição de energia, além de instalações industriais.


“O primeiro leilão é fundamental para criar escala, mas o mercado não pode depender exclusivamente dele”, afirmou Johann à CNN Brasil.
Continua após a publicidade
Table of Contents
ToggleBaterias podem oferecer diferentes serviços
Os sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS (Battery Energy Storage Systems), permitem guardar eletricidade para utilização posterior. Além dessa função, os equipamentos podem contribuir para a estabilidade da rede elétrica por meio do controle de frequência e tensão e do alívio de limitações na transmissão.
Outra possibilidade é a arbitragem de energia, que consiste em armazenar eletricidade quando há maior disponibilidade para utilizá-la ou comercializá-la em períodos de maior demanda e preços mais elevados.
Na avaliação apresentada por Johann à CNN Brasil, a remuneração por esses diferentes serviços é importante para construir um modelo econômico sustentável para o setor. A proposta é ampliar as oportunidades de retorno dos projetos e incentivar a adoção da tecnologia por diferentes segmentos do mercado.
Primeiro leilão é etapa para estruturar o setor
As diretrizes do Ministério de Minas e Energia para o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência preveem contratos de 15 anos, com início de suprimento em 1º de agosto de 2028. Nesse modelo, a receita fixa remunera a disponibilidade de potência, enquanto a energia liquidada no mercado de curto prazo segue as regras do mecanismo.
Continua após a publicidade
A discussão defendida pela WEG envolve a possibilidade de complementar esse modelo com receitas provenientes de outros serviços prestados pelas baterias ao sistema elétrico. A diversificação poderia ampliar a viabilidade dos empreendimentos e favorecer a expansão do mercado para além dos contratos do leilão.
Segundo a expectativa apresentada pelo executivo na entrevista à CNN Brasil, até 2030 o armazenamento em baterias poderá integrar de forma habitual os investimentos de geradores, transmissores, distribuidores, indústrias e data centers.
Continua após a publicidade
WEG amplia investimento em fábrica em Santa Catarina
A estratégia da companhia no segmento também se reflete nos investimentos industriais em Santa Catarina. Em Itajaí, no Litoral Norte do Estado, a WEG ampliou de R$ 280 milhões para R$ 330 milhões o aporte previsto para uma fábrica dedicada a sistemas de armazenamento de energia em baterias.
Com a revisão do projeto, a capacidade de produção planejada passou de 2 GWh para 4 GWh por ano. A unidade tem início de operação previsto para o segundo semestre de 2027 e contará com linhas automatizadas, robôs autônomos, laboratório de ensaios e subestação elétrica própria.
Continua após a publicidade
O empreendimento recebeu financiamento do programa BNDES Mais Inovação, em parceria com a Finep, voltado ao desenvolvimento de tecnologias para a transição energética e a descarbonização.
A ampliação da capacidade industrial acompanha as perspectivas de crescimento do setor, cuja expansão dependerá não apenas da oferta de equipamentos, mas também de regras que permitam remunerar os diferentes benefícios proporcionados pelos sistemas de armazenamento.



