Quando Kelly Cristina Almeida Souza fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apenas como teste e tirou 920 na redação, ela nem imaginava que, no ano seguinte, entraria para o curso de medicina da Unicamp, direto do terceirão, e estudando sem ajuda de cursinho, apenas em casa com videoaulas gratuitas e provas antigas.
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Vinda de escola pública, Kelly não tinha dinheiro para pagar cursinho e trabalhava em uma padaria. Parte da família, muito religiosa, imaginava que o destino de Kelly seria apenas o casamento e não a universidade. A mãe da menina foi quem incentivou a filha a tomar um rumo diferente na vida. Aos 18 anos ela passou de primeira na Unicamp, para medicina, e agora, aos 23 anos, se prepara para colar grau.



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ToggleNota no Enem mudou tudo na vida de Kelly
Kelly Cristina já trabalhava na padaria desde os 16 anos. A medicina nunca foi um sonho quando criança. No segundo ano do ensino médio, fez o Enem pela primeira vez, apenas para testar os conhecimentos, incentivada por uma professora de lingua portuguesa.
O resultado dessa prova mudou tudo na vida da menina. Kelly tirou 920 na redação (o máximo é 1000). A nota fez a professora incentivar a aluna a tentar medicina. A jovem nem imaginava como organizaria sua vida para tentar um vestibular tão concorrido.
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A motivação maior veio da possibilidade mudar a vida da família. Kelly queria transformar as condições financeiras da mãe, uma técnica de enfermagem que sustentava a casa inteira com um salário mínimo.
Apoio da mãe fez a menina sair da padaria para a universidade
Quando Kelly entrou na padaria para trabalhar de caixa, o objetivo maior, além de ajudar em casa, era comprar um computador. Para se dedicar ao vestibular de medicina, precisava sair do emprego.
A mãe foi até à padaria para falar com os patrões de Kelly. “Ela falou: ‘Não ela não vai trabalhar aqui não, ela vai estudar pra ser médica’”, contou Kelly ao g1 de Campinas.
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Esse apoio também foi importante para Kelly lidar com parte da família dela, que por serem muito religiosos, imaginavam que as mulheres deveriam apenas se casar e não investir em estudos. A mãe de Kelly também é muito religiosa, mas mesmo assim, apoiou a filha na decisão e enfrentar essa preparação para o vestibular.
Kelly montou um cronograma de 8 horas de estudo diárias
Se engana quem pensa que mesmo saindo da padaria, Kelly tinha muito tempo de sobra. Ela precisava cuidar dos três irmãos pequenos em casa. Sem dinheiro para o cursinho, o computador era seu único aliado nessa preparação. Foi pela internet que ela acompanhou videoaulas gratuitas e refez dezenas de provas antigas de outros vestibulares.
Dedicada, a menina montou um cronograma de estudos sozinha. A manhã era dedicada para fazer exercícios e provas antigas. Durante a tarde aprendia conteúdos novos. No sábado, fazia seus próprios simulados. Aos domingos, descansava, para retomar a rotina no dia seguinte.
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Os primeiros simulados foram difíceis para Kelly. Ela nunca alcançava a nota de corte necessária para o curso. A ansiedade foi aumentando e ela começou a praticar yoga para aliviar o nervosismo.
Aprovação veio em 2021
Kelly queria passar na Unicamp, mas mesmo assim se inscreveu em outros vestibulares como Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). A estudante acabou passando para a segunda fase das duas, mas nem precisou continuar no processo seletivo, pois o resultado da Unicamp veio primeiro.
Aos 18 anos, Kelly foi aprovada em Medicina na primeira chamada do vestibular de 2021 da Unicamp. Ela passou na modalidade de reserva de vagas destinadas a estudantes de escola pública e candidatos autodeclarados pardos.
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A menina ganhou uma bolsa que ajudou a se manter em Campinas, se mudou e passou a cursar medicina. Em novembro, Kelly cola grau e já se prepara para a especialização em oftalmologia.
“Mesmo que você venha de uma escola pública, mesmo que você não tenha todas as privilégios do mundo quando você está se preparando, a gente tem, hoje em dia, um monte de ação social, um monte de ação afirmativa, lembrando que é possível , ajudando você a não deixar de sonhar. Eu vejo muita gente parando de sonhar porque não vê isso e eu acho que você tem que correr sim atrás dos seus sonhos, eu sou prova viva de que é possível “, disse.
Veja também: Filha de zelador perde o pai na metade do curso de Medicina e promete realizar sonho dos dois.



