Frase do dia de Albert Einstein: ‘Não tenho talentos especiais. Sou apenas apaixonadamente curioso’

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Retrato fotográfico de Einstein em fase madura, em ambiente de trabalho ou doméstico em Princeton, preferencialmente do início dos anos 1950.

Existe uma explicação que aparece toda vez que alguém se destaca em alguma coisa. Ela vem em forma de elogio e funciona como encerramento de conversa: a pessoa tem dom. Nasceu com aquilo. Puxou ao pai, à mãe, a um tio que tocava violão. O elogio é sincero e tem um efeito colateral que ninguém pretende, que é dispensar qualquer investigação sobre o que a pessoa efetivamente fez durante anos.

Albert Einstein foi confrontado exatamente com essa explicação e recusou. Em 1952, o escritor suíço Carl Seelig, que preparava uma biografia dele, perguntou por carta se o talento científico do físico vinha da linhagem paterna e o musical, da materna. A pergunta pressupunha que a resposta estivesse na herança. A réplica de Einstein não corrigiu os ramos da família. Descartou a árvore inteira.

Não tenho talentos especiais. Sou apenas apaixonadamente curioso.

A recusa continua incômoda hoje. Nas escolas, quando um aluno é rotulado cedo como bom em exatas e o rótulo se transforma em profecia nos dois sentidos. Nas empresas, na diferença entre reconhecer um perfil e explicar um resultado por ele. Nas redes, onde a biografia de qualquer pessoa bem-sucedida é reescrita retroativamente como sinal precoce de genialidade, com a infância dela recontada como prenúncio.

O detalhe da correspondência importa para a leitura. A frase não é aforismo pensado para circular, é resposta a uma pergunta específica, escrita em carta particular, e está catalogada no arquivo Einstein sob o registro 39-013. Vale saber também que ele repetiu a ideia no ano seguinte, em carta a outro correspondente, o que indica convicção e não frase de ocasião. Em outro texto ele descreveu o próprio percurso de maneira ainda menos lisonjeira, sugerindo que só passou a se perguntar sobre espaço e tempo já adulto, quando uma criança comum já teria abandonado o assunto.

A frase não é modéstia, e essa é a leitura mais frequente e a menos interessante. Einstein não estava negando competência nem pedindo desculpas por ter feito o que fez. Ele estava substituindo uma explicação por outra: onde Seelig via herança, ele apontava um traço de comportamento, a disposição de continuar perguntando depois do ponto em que a pergunta deixa de ser socialmente aceitável. Também não é receita. Ser curioso não produz relatividade, e nada no texto sugere que produza.

O que sobra é uma pergunta melhor do que a do biógrafo. Em vez de investigar de quem alguém herdou o que sabe, vale investigar sobre o que essa pessoa continuou perguntando depois que todo mundo ao redor já tinha achado a resposta suficiente.

Frase do dia de Albert Einstein: “Eu nunca penso no futuro. Ele não tarda a chegar” – a reflexão do físico sobre antecipação

Fonte Original | NSC Total

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