Frase do dia da Psicologia: ‘Autenticidade é a prática diária de abrir mão de quem achamos que deveríamos ser e abraçar quem somos’ – a reflexão de Brené Brown sobre identidade

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Retrato de Brené Brown em palestra ou evento público. 16:9, mínimo 1200px.

Existe um ajuste que quase todo mundo faz sem perceber. A pessoa entra numa sala nova e, em poucos minutos, já mediu o tom da conversa, o grau de formalidade, quais opiniões passam e quais não. Sai de lá com a impressão de ter ido bem. E leva algumas horas para notar que não disse quase nada do que realmente pensava.

Brené Brown, pesquisadora americana que estuda vergonha e vulnerabilidade há mais de duas décadas, trata esse ajuste como o assunto central do trabalho dela. Para Brown, autenticidade não é um traço de personalidade que algumas pessoas têm e outras não. É uma decisão tomada repetidamente, quase sempre em situações pequenas, e que cobra alguma coisa em cada ocorrência.

Autenticidade é a prática diária de abrir mão de quem achamos que deveríamos ser e abraçar quem somos.

A cena se repete em terreno reconhecível. No trabalho, em quem concorda com um plano que considera furado porque a reunião já pendeu para um lado. Nas redes, onde a versão editada de si mesmo recebe resposta imediata e a versão inteira não cabe no formato. Nas conversas de família em que certos assuntos foram silenciosamente aposentados. O ajuste funciona em todos esses casos. Ele apenas cobra depois.

A definição está em “A Arte da Imperfeição“, livro que Brené Brown publicou em 2010 a partir de anos de entrevistas. No mesmo trabalho ela faz uma distinção que explica por que o ajuste é tão automático: encaixar-se e pertencer não são a mesma coisa. Encaixar-se exige ler o ambiente e virar quem for necessário para ser aceito. Pertencer não exige mudança nenhuma, exige exatamente o oposto. A conclusão dela é contraintuitiva e vale a atenção: o primeiro não conduz ao segundo, atrapalha o segundo.

A frase não é licença para grosseria. Ela não sugere que dizer tudo o que se pensa seja autenticidade, nem que adaptar o registro ao contexto seja falsidade, porque isso é convívio e não traição de si. Também não é convite a expor a própria intimidade em qualquer plateia, coisa que Brown recusa explicitamente no restante da obra. A distinção que ela propõe é entre ajustar a forma e esconder o conteúdo, todo dia, sem exceção. Quando esse peso se torna sofrimento persistente, o apoio de um profissional de saúde mental é o caminho.

Vale reparar na palavra do meio da frase. Não é autenticidade, é diária. A formulação não promete um momento de virada nem uma decisão única e definitiva. Promete uma escolha pequena, repetida, que ninguém além de você vai registrar.

Frase do dia da Psicologia: “A maior solidão não é estar sozinho, mas não ser capaz de ser quem você é” – a reflexão de Carl Rogers sobre autenticidade

Fonte Original | NSC Total

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