Uma história que começou há mais de 130 anos com o naufrágio de um navio pode estar próxima dos capítulos finais. Na última sexta-feira (25), a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) apresentou alternativas técnicas para a remoção do navio Pallas, que naufragou em 1893 no canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes.
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Desde então, os destroços da embarcação descansam no fundo do rio Itajaí-Açu e acabaram se tornando um empecilho para as operações portuárias, já que estão em uma área estratégica do canal que precisa passar por intervenções para ampliar a capacidade de movimentação de grandes navios.
Após três meses de pesquisas e mergulhos técnicos, a Univali concluiu o estudo que reúne informações sobre as condições atuais dos destroços, o ambiente subaquático e os aspectos históricos e arqueológicos do navio. O trabalho também levou em conta questões de segurança e engenharia para avaliar as possibilidades de retirada da embarcação do fundo do canal.
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O coordenador do estudo e diretor do Museu Oceanográfico da Univali, professor Jules Soto, explica que a pesquisa foi ampliada à medida que novas informações surgiram durante o trabalho.
Começamos com 14 tópicos que considerávamos essenciais para compreender o problema e chegamos a 58 capítulos. Ao longo da pesquisa, novas informações e questões exigiram aprofundamentos que não estavam previstos no início. Esse processo nos permitiu reunir um conjunto de dados que dá sustentação às alternativas apresentadas agora e oferece aos órgãos competentes elementos para avaliar os caminhos possíveis para a remoção
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ToggleMergulhadores vistoriaram os destroços
Estudo será analisado pelo Iphan e Marinha do Brasil
A pesquisa foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar, com profissionais das áreas de biologia, história, arqueologia subaquática, oceanografia e engenharia, além de técnicos, mergulhadores e especialistas em operações de salvamento e intervenções subaquáticas.
O estudo agora está sob avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Marinha do Brasil. As orientações dos dois órgãos serão consideradas na elaboração do projeto executivo, que deverá definir de que forma a antiga embarcação será retirada do local.
A retirada completa do casco é estimada pelo Ministério de Portos e Aeroportos em cerca de R$ 23 milhões e está prevista para ocorrer nos próximos dois anos.
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Pallas virou dor de cabeça para o Porto de Itajaí
Os restos do navio estão localizados entre as boias 9 e 11, próximos à Bacia de Evolução número 2, no lado de Navegantes. A estrutura impede que aquela área seja aprofundada para 16 metros, uma das medidas necessárias para ampliar acapacidade operacional e permitir a chegada de navios de maior porte ao complexo.
A retirada do Pallas também está ligada a ampliação da Bacia de Evolução nº 2, projetada para alcançar 530 metros de diâmetro. O projeto prevê o aprofundamento desse trecho do canal e a ampliação da capacidade operacional do complexo portuário, que poderá receber navios de até 366 metros.
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De acordo com a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), a mudança irá promover uma melhoria nas condições para as manobras das embarcações e reforçar a segurança da navegação no local.
Navio naufragou há 133 anos em Itajaí
Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas pertencia à Companhia Frigorífica Fluminense e fazia o transporte de cargas e passageiros entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. Considerado moderno para a época, o navio teve uma trajetória curta. Em outubro de 1893, afundou na entrada da barra do rio Itajaí-Açu.
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O naufrágio ocorreu durante a Revolta da Armada, movimento liderado por setores da Marinha brasileira contra o governo do marechal Floriano Peixoto, então presidente da República. O conflito mobilizou operações militares no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, com confrontos navais e bombardeios.
Relatos históricos indicam que o Pallas teria sido abordado e saqueado durante o conflito. Ao entrar no canal do rio Itajaí-Açu durante a noite, a embarcação colidiu contra pedras submersas próximas ao atual molhe norte e acabou afundando.



