Elton John volta aos palcos brasileiros nesta segunda-feira (7), como uma das atrações do Rock in Rio 2026. Aos 79 anos, o cantor promete revisitar alguns dos maiores sucessos de sua carreira, incluindo músicas que também ganharam destaque em Rocketman, cinebiografia que transformou sua trajetória em um espetáculo musical. Hits como Your Song, Tiny Dancer e Rocket Man ajudam a contar, tanto no palco quanto nas telas, diferentes capítulos da história do artista.
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Mas, entre uma canção e outra, quanto do que aparece no filme realmente aconteceu? Rocketman acompanha a ascensão de Elton John, seus relacionamentos, conflitos familiares e o período marcado pelo abuso de álcool e drogas, mas também usa fantasia e liberdade criativa para recontar sua trajetória.
Aproveitando a apresentação do cantor no Rock in Rio, veja o que é realidade e o que foi criado ou alterado pelo filme.
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ToggleO que é ficção e verdade no filme de Elton John
A produção não esconde os momentos mais difíceis da vida do artista. O relacionamento conturbado com a família, os conflitos amorosos, o abuso de álcool e drogas e as consequências da fama fazem parte da história. Ao mesmo tempo, o longa dirigido por Dexter Fletcher é um musical com elementos de fantasia e toma algumas liberdades criativas, inclusive ao reorganizar acontecimentos na linha do tempo.
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O próprio Elton já afirmou que não queria que sua história fosse suavizada no cinema. Por isso, Rocketman mistura fatos conhecidos da trajetória do cantor com situações adaptadas para funcionar dentro da narrativa do filme.
Um dos principais exemplos está na relação de Elton com o pai, Stanley Dwight. Interpretado por Steven Mackintosh, ele aparece como um homem frio e distante, que não demonstra apoio às ambições musicais do filho.
De acordo com declarações dadas pelo próprio Elton ao longo dos anos, a representação não está distante da realidade. Em 2011, o cantor contou ao jornal britânico The Sunday Times que o pai nunca o havia visto tocar e o descreveu como um homem “duro e impassível”. Segundo Elton, Stanley desprezou e se decepcionou com suas escolhas até se tornar ausente.
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A relação entre os pais também é retratada de maneira semelhante à realidade. Elton e Stanley se separaram quando o músico ainda era adolescente, e Sheila, sua mãe, posteriormente se casou com Fred Farebrother.
Outro momento em que o filme altera a história está na origem do nome artístico do cantor. Reginald Kenneth Dwight realmente passou a se chamar Elton John, mas a explicação apresentada no longa não corresponde exatamente ao que aconteceu.
A primeira parte do nome veio de Elton Dean, músico que também fazia parte da Bluesology, banda em que o cantor tocava antes da fama. Já “John” não foi inspirado por John Lennon, como sugere uma cena de Rocketman. Na realidade, o nome veio de Long John Baldry, músico britânico que também integrou a Bluesology.
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A trajetória até a famosa apresentação no Troubadour, em Los Angeles, também ganhou algumas mudanças. No filme, Elton chega ao local sem uma banda de apoio e conhece os músicos pouco antes de subir ao palco, depois que o produtor Ray Williams se encarrega de encontrar os instrumentistas.
Na vida real, porém, Elton já tinha uma banda. O baterista Nigel Olsson e o baixista Dee Murray tocavam com ele na Inglaterra desde abril de 1970, meses antes da apresentação nos Estados Unidos.
O show no Troubadour, em 1970, é um dos momentos mais importantes de Rocketman e, nesse caso, a produção mantém boa parte da essência do que aconteceu. A apresentação marcou a estreia de Elton nos Estados Unidos e ajudou a consolidar sua carreira internacional.
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Ainda assim, há detalhes modificados. Durante a sequência, Elton canta Crocodile Rock, música que só seria lançada dois anos depois. Além disso, Davey Johnstone aparece como guitarrista, embora só tenha entrado para a banda em 1972. Na apresentação real do Troubadour, o grupo era formado apenas por Olsson e Murray.
A relação de Elton com John Reid, seu empresário e namorado, também é um dos pontos centrais do longa. Interpretado por Richard Madden, Reid aparece como uma figura manipuladora e responsável por uma relação marcada por conflitos.
Bernie Taupin, compositor e amigo de longa data de Elton, afirmou à revista Time que havia bastante verdade na maneira como a relação foi apresentada no filme, embora tenha evitado classificar os personagens como heróis ou vilões.
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Uma das cenas mais fortes mostra Reid agredindo Elton durante uma discussão. Há relatos de que os dois protagonizaram episódios de violência, mas essas agressões não foram comprovadas. O que se sabe é que Reid chegou a ser preso na Nova Zelândia após dar um soco em um jornalista. Assim, Rocketman deixa uma zona de incerteza sobre o quanto da violência retratada entre o casal realmente aconteceu.
Outro acontecimento real que ganhou uma nova configuração no filme envolve um show no Madison Square Garden, em Nova York. Na produção, Elton está prestes a se apresentar quando decide abandonar o compromisso e seguir diretamente para uma clínica de reabilitação, ainda usando a fantasia que vestiria no palco.
O cancelamento de um show no Madison Square Garden realmente aconteceu. Elton deixou o público esperando pouco antes da apresentação, mas, na realidade, o episódio ocorreu em 1984 e foi atribuído a uma gripe. A internação em uma clínica de reabilitação só aconteceria anos depois, em 1990.
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É justamente nesse tipo de alteração que Rocketman encontra sua principal liberdade criativa: os acontecimentos fundamentais da vida de Elton John estão presentes, mas datas, personagens e situações são reorganizados para criar uma narrativa musical que condense décadas de sua trajetória em pouco mais de duas horas.



