Quem passa por praças ou cruzamentos movimentados de cidades catarinenses já percebeu que nas últimas semanas os espaços foram tomados pelos chamados windbanners, bandeiras com propaganda de candidatos às Eleições 2026.
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O formato de banner vertical preso a uma haste e a uma base no solo é um dos poucos formatos de propaganda de rua ainda permitido para as candidaturas nas eleições deste ano. Outras modalidades como placas, faixas e cartazes fixos são proibidos pela Justiça Eleitoral.
Com isso, muitos candidatos têm apostado nos windbanners em locais de grande circulação, criando uma paisagem marcada por fotos, nomes e números de candidaturas. O cenário com bandeiras colocadas lado a lado por candidatos chama a atenção de motoristas e pedestres e divide opiniões sobre o impacto visual nas cidades.
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Em Florianópolis, áreas como os canteiros da Avenida Beira-Mar, da Avenida Mauro Ramos e a calçada em frente ao Terminal Integrado do Centro (Ticen) têm sido as favoritas de candidatos para expor as bandeiras. Em Blumenau, a Avenida Beira-Rio e o entorno do prédio da prefeitura estão entre os locais com mais propagandas. Já em Joinville, pontos como as ruas São Paulo e Dona Francisca estão entre os favoritos dos candidatos para exibirem as bandeiras.
O uso, no entanto, precisa seguir algumas regras. Uma delas é que elas devem ser móveis — ou seja, precisam ser retiradas à noite e recolocadas no dia seguinte. Em função disso, candidatos contratam apoiadores para percorrer os pontos escolhidos, retirar as bandeiras e reposicioná-las na manhã seguinte.
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ToggleVeja fotos dos windbanners de candidatos em Florianópolis
Responsáveis acordam de madrugada para colocar bandeiras
O morador de São José, Gilberto da Silva, 47 anos, trabalha nas últimas semanas na colocação de windbanners e bonecos de um candidato a deputado estadual de SC. A operação se repete diariamente. Ainda na madrugada, ele sai de casa com um furgão carregando as bandeiras e as posiciona em calçadas e canteiros na região das avenidas Beira-Mar e Mauro Ramos, no Centro da Capital.
Todos os dias, são 58 bandeiras levadas aos pontos — 40 de um candidato a deputado estadual e outras 18 de um deputado federal com quem ele faz “dobradinha” eleitoral —, além de bonecos em tamanho real com a imagem dos concorrentes. À noite, ele passa novamente nos pontos para retirá-los. Outros apoiadores repetem a tarefa em regiões como Ingleses e Sul da Ilha.
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Gilberto explica que não há divisão prévia sobre os pontos. “Quem chega primeiro, coloca”, afirma.
Apesar disso, afirma que os apoiadores que atuam com outros candidatos já se conhecem e sabem onde cada um costuma expor suas bandeiras.
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Um windbanner de dois metros de altura pode custar de R$ 140 (uma face) a R$ 200 (dupla face), segundo orçamentos consultados pela reportagem. A logística das bandeiras eleitorais movimenta também empresas que produzem o material.
A disputa chega até mesmo a resultar em polêmica e virar caso de polícia. Um candidato a deputado estadual chegou a ter windbanners furtados na primeira semana de campanha. Em outro episódio nesta semana, outro candidato teve bandeiras retirados de um cruzamento de uma rodovia estadual por um agente da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) — a corporação alegou que os materiais estariam descumprindo as regras e cobrindo placas de sinalização.
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“Forma de alcançar maior número de pessoas”, diz especialista
O fenômeno da invasão de windbanners eleitorais pode ser resultado das mudanças nos formatos de propaganda eleitoral externa. O jornalista, analista eleitoral e professor do curso de Publicidade e Propaganda da Furb, Clóvis Reis, avalia que as bandeiras de rua são uma das poucas alternativas que restaram após proibições de anos anteriores, o que fez o formato já ser utilizado nas eleições de 2024 e se tornar uma marca da eleição em 2026.
Segundo o especialista, os candidatos têm a necessidade de se comunicar, especialmente aqueles que não exercem mandato, e, por isso, não têm um canal de comunicação estabelecido com o eleitor. Neste contexto, os windbanners aparecem como uma ferramenta importante para compor um “mix” de comunicação e atingir eleitores que podem não ser alcançados por outros meios.
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Ele cita estudos que apontam que o consumidor (ou o eleitor) precisa ser exposto várias vezes a um anúncio para que tome consciência da mensagem anunciada.
“É como você planejar uma campanha publicitária de um produto novo, de uma marca. Você utiliza nesse mix de comunicação muitos meios: rádio, televisão, jornal, outdoor, rede social. No caso da propaganda eleitoral, os publicitários que gerenciam essas campanhas de comunicação pensam do mesmo modo. Tem o horário eleitoral gratuito, tem as alternativas que são possíveis de fazer a campanha na rua, tem o corpo a corpo, e aí acabam explorando todos esses meios. O desafio é que alguns meios atingem algumas pessoas, então você tem que utilizar o maior número de meios possíveis, para alcançar o maior número de pessoas, e assim reforçar a sua mensagem”, compara.
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Reis aponta, ainda, que os locais de grande circulação de pessoas e onde há pontos de ônibus ou semáforos, em que pessoas ficarão paradas por mais tempo, são os preferidos para a exposição dos windbanners. Ainda que o acúmulo de várias bandeiras no mesmo espaço possa dividir opiniões perante o eleitorado, ele explica que a escolha muitas vezes faz parte da estratégia.
Tem pontos que todos sabem que são mais importantes para essa comunicação, e que estão sempre em disputa. E aí a grande questão é a seguinte: você vai deixar seu adversário estar lá e você não? Não é uma decisão fácil. Certo, lá tem placas demais, eu não vou botar a minha lá. Então meus três adversários vão estar lá, e eu não vou botar? Não é um cálculo fácil
Bandeiras não podem bloquear circulação nem atrapalhar trânsito
Os windbanners de candidatos tomaram as ruas principalmente por serem uma das poucas formas de publicidade externa permitida na campanha eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) explica que nas vias públicas é permitida apenas a colocação de mesas para distribuição de material de campanha e de bandeiras — categoria na qual se enquadram juridicamente os windbanners móveis.
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“Essas atividades independem de licença municipal ou de autorização da Justiça Eleitoral, desde que sejam observadas as regras eleitorais, de trânsito, de acessibilidade e de uso do espaço público. Na prática, os locais costumam ser ocupados diariamente pelas equipes de campanha. Essa ocupação, contudo, não gera exclusividade nem direito permanente sobre o ponto”, diz a nota do tribunal.
Já cavaletes, totens, peças infláveis e bonecos, incluindo aqueles em tamanho real impressos em PVC que vêm sendo visto nas ruas de cidades de SC, são proibidos em bens públicos ou de uso comum.
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“Como a lei só abre exceção para bandeiras e mesas de panfletos nas calçadas, colocar esses bonecos e totens de PVC na rua é proibido. Por isso, a Justiça Eleitoral pode determinar que o candidato ou candidata retire os materiais imediatamente”, informa o TRE-SC, em nota.
A retirada desses materiais, no entanto, depende de decisão da Justiça Eleitoral. Para isso, é preciso que o órgão abra ações a partir de denúncias, que podem ser feitas por eleitores por canais como o aplicativo Pardal, por servidores ou fiscais de propaganda eleitoral por meio de autuações pelo cartório eleitoral ou por representações feitas por candidatos e partidos adversários e pelo Ministério Público Eleitoral.
As regras sobre windbanners eleitorais
- Horário: devem ser instalados a partir das 6h e retirados até as 22h. Não podem permanecer nas ruas durante a noite;
- Sem tamanho máximo definido: a legislação não estabelece uma dimensão específica para as bandeiras, mas elas não podem dificultar a circulação, comprometer a segurança ou produzir efeito semelhante ao de um outdoor;
- Circulação e acessibilidade: também não podem bloquear ou dificultar a passagem de pedestres ou veículos, obstruir calçadas, rampas, pisos táteis ou outras estruturas destinadas à circulação de pessoas;
- Segurança: não podem prejudicar a visibilidade no trânsito, especialmente em esquinas e cruzamentos;
- Vários juntos: é possível colocar mais de uma bandeira num mesmo local, mas o enfileiramento não pode criar um efeito visual único semelhante a um painel outdoor;
- Bonecos e totens: são proibidos em bens públicos ou de uso comum, como calçadas, praças e canteiros. Isso inclui também cavaletes e peças infláveis;
- Fiscalização: A fiscalização cabe a juízes eleitorais, órgãos de trânsito e de segurança, dentro de suas atribuições;
- Denúncias: qualquer pessoa pode denunciar propaganda irregular pelo aplicativo Pardal, preferencialmente com foto e localização precisa;
- Multa: a propaganda irregular pode gerar determinação de retirada e também multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil.



