Sindicatos e associações de Santa Catarina denunciam a circulação de listas de boicote contra empresas e profissionais apontados como “petistas” e cobram investigações sobre relatos de demissões e encerramentos de contratos por motivação política. As mensagens circulam em SC e em outras regiões do Brasil após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, nas eleições de 2026.
Continua após a publicidade
As listas compartilhadas incentivam empreendedores e clientela a deixar de comprar nos estabelecimentos ou contratar os profissionais citados. O movimento cresceu após políticos e influenciadores digitais publicarem conteúdos que defendem a demissão de trabalhadores, a recusa de contratação de profissionais e o boicote a estabelecimentos que ajudaram a reeleger o presidente.
Table of Contents
ToggleConfira cidades de SC que se manifestaram contra boicotes
Grande Florianópolis
Na Grande Florianópolis, listas com o rótulo “empresários de esquerda” mapearam estabelecimentos em Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Angelina e Palhoça, de ramos como transporte, saúde, advocacia e alimentação.
Continua após a publicidade
O deputado estadual Fabiano da Luz (PT-SC), presidente estadual do PT, afirmou que solicitou ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e ao Ministério Público do Trabalho a investigação das listas de boicote compartilhadas nas redes sociais contra comerciantes, profissionais liberais e empresários identificados como apoiadores de Lula.
Sul de Santa Catarina
A Prefeitura de Praia Grande, no Sul de SC, informou que exonerou um servidor público municipal nesta quarta-feira (28), após identificar que ele elaborou uma lista de estabelecimentos comerciais e profissionais da cidade acompanhada de mensagens que incentivam o boicote a produtos e serviços por supostos vínculos ou posicionamentos políticos. Empresários de Jaraguá do Sul também foram afetados pelo que chamaram de listas apócrifas contra votantes de esquerda.
O Restaurante Musse divulgou posicionamento de repúdio à inclusão do nome na lista de autoria anônima. “O Restaurante Musse vem a público manifestar seu repúdio à inclusão de seu nome em listas de estabelecimentos supostamente associados a posicionamentos político-partidários, com o intuito de incentivar boicotes comerciais. Em nenhum momento o Restaurante Musse realizou campanhas políticas ou declarou publicamente apoio a qualquer partido. Somos um estabelecimento comercial, sem vínculo ou representação partidária, e não autorizamos que nosso nome seja utilizado para nos atribuir posicionamentos que não assumimos”, afirma.
Carregando enquete…
Continua após a publicidade
Vale do Itajaí
Em cidades do Vale do Itajaí, como Brusque, Guabiruba e Rio do Sul, diversas pessoas receberam, em seus WhatsApp, listas com nomes de estabelecimentos comerciais supostamente ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) e incentivando a discriminação com as indústrias.
Algumas empresas se manifestaram contrárias às listas divulgadas: O Quiosque do Bremer, em Rio do Sul, mencionado em um dos documentos compartilhados, se manifestou nas redes sociais de que uma pessoa anteriormente responsável pela empresa que estaria ligada a um partido político, mas que este gestor já não fazia parte da equipe há mais de um ano.
Continua após a publicidade
Já a Pipoca da Villa, em Brusque, publicou uma nota atribuindo discriminação por orientação sexual ao registro contra a lista. Os responsáveis afirmaram ter provas e que medidas contra a pessoa responsável estão sendo tomadas.
Norte do estado
Na cidade de Canoinhas, no norte do estado, diversas pessoas são investigadas por divulgar as listas de boicote em suas redes sociais.
Continua após a publicidade
O delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Canoinhas, Nadal Jr., disse que o caminho correto é o pedido de indenização por dano moral, mas ele vê elementos suficientes para caracterizar o caso como crime de perseguição.
“Já vi precedentes enquadrando no ART. 147-A do CP em um caso específico, que seria o crime de perseguição. Agora, se tiver violência ou grave ameaça, pode haver adequação típica a uma série de delitos”, conta.
Continua após a publicidade
Oeste Catarinense
No Extremo-Oeste Catarinense, a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Empresarial de São Miguel do Oeste (ACISMO) publicaram notas demonstrando preocupação com a causa e a falta de respeito à liberdade de opinião e democracia no estado.
As entidades relembram que são apartidárias e que o compromisso com as cidades não pode ser resumido à preferência política atribuída a um ou outro corporador.
Continua após a publicidade
O Sindicato do Comércio Varejista de Concórdia e Região (Sindilojas) e a Associação Empresarial de Concórdia (ACIC) também criticaram os “listões” e alertaram que esse tipo de iniciativa pode aprofundar divisões na comunidade, gerar prejuízos econômicos e atingir empreendedores, trabalhadores e famílias que dependem do comércio.
Boicotes não são novidade no país
O Ministério Público do Trabalho (MPT) analisa casos parecidos desde janeiro deste ano. Segundo os dados apresentados no site oficial do MPT, até terça-feira (27), foram 1.937 denúncias recebidas por assédio eleitoral em todo o país. Deste total, 21,4% destes casos foram registrados a partir do domingo de eleições (25).
Continua após a publicidade
O movimento é chamado de “Demita um petista” e chama a atenção das autoridades pela continuidade das práticas de assédio eleitoral, mesmo após o encerramento da votação, com publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir trabalhadores que votaram em determinado candidato.
O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, ressalta que a liberdade de escolha política deve ser respeitada também no ambiente de trabalho. “O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado. Demitir trabalhadores por sua convicção política é ilegal e será alvo de atuação do MPT perante a Justiça do Trabalho”, afirma.
Continua após a publicidade
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SC), Juliano Mandelli, as listas configuram uma tentativa de discriminação e intimidação profissional incompatível com o Estado Democrático de Direito.
“Listas de boicote são uma forma de intimidação, e por isso levamos o caso ao Ministério Público para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados”, diz.
Continua após a publicidade
Quem sofreu ou presenciou situações de assédio eleitoral pode apresentar denúncia ao MPT pelo site www.mpt.mp.br. O registro pode ser feito de forma remota e sigilosa, com apresentação de provas e documentos que comprovem a demissão injusta.
*Sob Supervisão de Daiane Nora



