Ave selvagem mais velha já identificada foi marcada há quase 70 anos e ainda aparece na ilha onde cientistas a encontraram

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Ave selvagem mais velha já identificada foi marcada há quase 70 anos e ainda aparece na ilha onde cientistas a encontraram

Uma pequena anilha colocada na perna de uma ave marinha em 1956 permitiu acompanhar uma história que atravessaria quase sete décadas. Conhecida como Wisdom, uma albatroz-de-laysan considerada a ave selvagem mais velha do mundo, ela continua retornando ao Atol de Midway, no Oceano Pacífico, onde foi identificada pela primeira vez.

Com aproximadamente 75 anos, Wisdom voltou ao seu tradicional local de reprodução em 18 de novembro de 2025. O registro foi confirmado pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS), que acompanha a ave há décadas.

A trajetória se tornou uma referência para pesquisadores que investigam a longevidade, a reprodução e os hábitos das aves marinhas.

Uma descoberta em 1956

A história começou em 10 de dezembro de 1956, quando o ornitólogo Chandler Robbins identificou e anilhou a albatroz durante uma expedição ao Atol de Midway.

Wisdom já havia colocado um ovo, detalhe fundamental para determinar sua idade aproximada. Isso porque os albatrozes-de-laysan normalmente não começam a se reproduzir antes dos cinco anos.

A partir dessa informação, os pesquisadores estimaram que ela tivesse nascido em 1951 ou antes. Portanto, a ave já era adulta quando entrou para os registros científicos.

A identificação foi feita por meio de uma anilha, pequeno dispositivo colocado na perna das aves para permitir o reconhecimento individual ao longo dos anos.

Wisdom passou a ser reconhecida pela identificação Z333, que tornou possível acompanhar suas aparições e relacionar diferentes registros a ela.

O retorno ao mesmo lugar

Localizado na região norte do arquipélago havaiano, o Atol de Midway abriga uma das maiores concentrações de albatrozes do planeta. Todos os anos, as aves retornam às ilhas para acasalar, construir ninhos e criar seus filhotes.

Wisdom faz parte desse movimento há décadas. Mesmo passando longos períodos no oceano, ela continua aparecendo na região onde os cientistas a identificaram.

O retorno em novembro de 2025 marcou mais um capítulo dessa trajetória. Naquela temporada, pesquisadores também registraram a presença de seu parceiro mais recente, identificado pela anilha EX25.

O comportamento está relacionado a uma característica dos albatrozes, que costumam manter vínculos duradouros com seus parceiros e retornar aos mesmos locais de reprodução.

Maternidade depois dos 70

A longevidade não é o único aspecto que diferencia Wisdom. A ave também continuou se reproduzindo em uma idade avançada.

Na temporada de 2024 para 2025, ela colocou um ovo e teve um novo filhote, que nasceu em janeiro de 2025. O nascimento foi registrado pelos responsáveis pelo acompanhamento da colônia.

O filhote, entretanto, não sobreviveu até a fase de deixar o ninho, segundo informações divulgadas pelo Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP).

Ao longo da vida, estima-se que Wisdom tenha produzido entre 50 e 60 ovos, dos quais até 30 resultaram em filhotes que conseguiram deixar o ninho.

Na temporada de 2025 para 2026, a albatroz voltou a visitar Midway, mas não colocou um novo ovo, conforme atualização oficial divulgada em janeiro de 2026.

Longevidade acompanhada pela ciência

A história de Wisdom também revela a importância de pesquisas desenvolvidas durante várias gerações de cientistas.

Para espécies que podem viver tantas décadas, o monitoramento contínuo permite compreender melhor aspectos que seriam difíceis de observar em estudos de curta duração.

O interesse pela longevidade na natureza aparece em outros registros, como o de uma araucária centenária de São Joaquim, considerada a maior do Sul do Brasil. No caso de Wisdom, a particularidade está na possibilidade de acompanhar individualmente uma ave que passa grande parte da vida em alto-mar.

A longevidade também depende das condições ambientais encontradas ao longo da vida. Por isso, o acompanhamento das aves marinhas contribui para compreender a importância dos locais de reprodução e dos habitats protegidos.

Uma história ainda acompanhada

O Atol de Midway integra uma área de proteção ambiental dedicada à conservação de aves e outras espécies marinhas.

Para os pesquisadores, a presença recorrente de Wisdom oferece uma oportunidade rara de observar a história de um único animal ao longo de quase sete décadas.

Sua última temporada documentada, entre 2025 e 2026, mostrou que a ave continuava frequentando o refúgio, mesmo sem colocar um novo ovo.

Fonte Original | NSC Total

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