“Temos que nos adaptar”: Fim da escala 6×1 pode exigir novas contratações no comércio do Litoral Norte de SC

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"Temos que nos adaptar": Fim da escala 6x1 pode exigir novas contratações no comércio do Litoral Norte de SC

O fim da escala 6×1 pode levar empresas de Balneário Camboriú e Camboriú a contratar mais funcionários para manter as portas abertas durante os sete dias da semana. Promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, a mudança na jornada de trabalho deve exigir uma reorganização das equipes, especialmente no comércio, que se prepara para dias intensos de vendas durante a alta temporada de verão.

Segundo o advogado Jaime Schappo, assessor jurídico do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas), de Balneário Camboriú e Camboriú, um dos principais desafios da escala 5×2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial, será organizar as equipes para assegurar as folgas dos trabalhadores sem comprometer o funcionamento das lojas e a viabilidade financeira dos negócios.

Para ilustrar o impacto da mudança, Schappo cita o exemplo de uma empresa pequena com dois funcionários que precisa funcionar todos os dias da semana. Com a nova jornada, o estabelecimento pode precisar contratar mais um trabalhador para manter o atendimento, o que aumentaria os gastos com salários e outros custos com colaboradores.

“Se tenho dois funcionários e contrato mais um, vou ter aumento proporcional nos meus encargos decorrentes da mão de obra. Eu vou repassar para o produto. Quem vai pagar? O consumidor. Dentre eles, o próprio trabalhador”, avalia o advogado.

Entenda o fim da escala 6×1 em imagens

Já para o líder sindical Ivo Castanheira, diretor da Federação dos Empregados no Comércio de Santa Catarina (Fecesc), entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) a aprovação da medida vai melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, gerar mais vagas e a economia vai se adaptar.

“A aprovação dessa mudança agora, na véspera da eleição, foi o momento certo. Se não fosse agora, com certeza os senadores não aprovariam. Para favorecer os trabalhadores tinha que ser assim”, afirma Ivo.

O líder sindical chama a atenção para a série de desafios dos trabalhadores brasileiros. O primeiro é a média salarial muito baixa. A outra é o stress. Muitas mulheres chefes de família estão com jornada cansativa e isso gera doenças mentais, por isso essa mudança será positiva, observa o líder sindical.

Mudança acontece às vésperas da temporada de verão

Com o fim da escala 6×1 previsto para começar 60 dias após a promulgação, a jornada 5×2 deve entrar em vigor em meados de dezembro de 2026, às vésperas da alta temporada de verão. O período costuma exigir um reforço nas equipes do comércio das cidades do Litoral Norte catarinense para atender ao aumento no movimento de moradores e turistas.

Somente entre outubro e dezembro de 2025, o comércio das duas cidades registrou saldo positivo de 468 empregos, conforme levantamento da Fecomércio-SC, por meio da plataforma Sfera. No mesmo período de 2024, o resultado foi ainda maior, com saldo de 491 vagas.

Para a assesoria jurídica do sindicato, os números reforçam importância das contratações de fim de ano para o setor. Com a nova jornada, os empresários terão que avaliar se será necessário ampliar as equipes ou reorganizar os horários para manter o atendimento durante toda a semana.

Representantes do setor devem se reunir para estabelecer os próximos passos

Além de rever as escalas e a composição das equipes, o comércio precisará avaliar as convenções coletivas de trabalho, que atualmente preveem jornada de 44 horas semanais.

De acordo com Schappo, por orientação da Fecomércio-SC, o Sindilojas Balneário Camboriú e Camboriú deve iniciar reuniões para estudar as adequações necessárias e orientar os empresários sobre a aplicação das novas regras.

O advogado também destaca que ainda há pontos a serem regulamentados, especialmente em relação a possíveis medidas específicas para micro e pequenas empresas. Diante desse cenário, a recomendação é que os comerciantes comecem a calcular os custos e avaliar a necessidade de novas contratações antes da entrada em vigor das primeiras mudanças.

“Temos que refletir um pouco, mas é irreversível, e temos que nos adaptar”, afirma Schappo.

O fim da escala 6×1, promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, pode beneficiar 1.042.178 trabalhadores em Santa Catarina, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. O número representa 44,72% dos trabalhadores com carteira assinada do estado.

A mudança prevê a adoção da escala 5×2, com cinco dias de trabalho para dois de descanso, sem diminuição salarial. As mudanças começam a valer após 60 dias da promulgação da medida, isto é, em meados de dezembro, próximo às datas do Natal e do Ano-Novo.

A medida altera a organização da jornada de trabalho no país e estabelece uma transição de 14 meses até a redução do limite semanal para 40 horas.

Fonte Original | NSC Total

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