Super El Ninõ previsto para os próximos meses pode ser o mais intenso desde 1983

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Super El Ninõ previsto para os próximos meses pode ser o mais intenso desde 1983

O El Ninõ atual pode vir a se tornar um dos mais intensos das últimas décadas, segundo cientistas. Pesquisadores acompanham agora a formação de um possível “Super El Niño”, fenômeno que pode superar os estragos causados pelo que até então era o maior El Niño já registrado, que ocorreu em 1982 e 1983. No entanto, para os metereologistas da Epagri/Ciram, a principal mudança agora estaria na forma de monitorar e tentar prever o fenômeno.

De forma simplificada, El Niño é o nome dado ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, em um trecho perto do Peru. O vapor sobe para a atmosfera e, para além disso, há uma mudança nos padrões de pressão, ventos e sistema climático sazonal. Ou seja, a circulação atmosférica é alterada e o impacto é global.

Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média. Em 1982 e 1983, o mundo foi surpreendido pelo que até então era o maior El Niño já registrado, segundo informações do Fantástico. Na região Nordeste do Brasil, a seca destruiu lavouras. Em Santa Catarina, centenas de municípios ficaram debaixo d’água, houve dezenas de mortes e grandes prejuízos à infraestrutura.

O El Niño em 10 passos

Depois dos estragos registrados entre 1982 e 1983, uma ampla rede de monitoramento do Oceano Pacífico foi criada. Liderados pelo pesquisador Michael McPhaden, cientistas espalharam centenas de boias pelo oceano com sensores espalhados ao longo dos primeiros 500 metros de profundidade. Eles medem a temperatura da água em diferentes camadas e a salinidade e transmitem, em tempo real, informações sobre os ventos e a temperatura da superfície do mar.

A forma de analisar e prever fenômenos meteorológicos mudou em Santa Catarina após o fenômeno registrado em 1982 e 1983, segundo o meteorologista Marcelo Martins, da Epagri/Ciram.

“Na época, era tudo analógico, convencional. A pessoa tinha que chegar lá, pegar e medir. Depois as coisas mudando e foram automatizando os radares. A gente também começou a ter radar, mais estacionamento meteorológico, estação automática.” afirmou o especialista.

” Hoje a gente tem a maior cobertura de estação meteorológica, que é a do governo do estado. A gente passou por uma tragédia muito grande. E, hoje em dia, a gente não tem mais essas tragédias que aconteceram antigamente. Por exemplo, a última foi em 2008, e de lá para cá foram vários e vários pontos de alagamentos imensos e grandes, e a gente não teve mais aqui no estado, como teve no Rio Grande do Sul, por exemplo” disse o profissional.

Aquecimento no céu e na água

Desde 1950, os cinco episódios de El Niños fortes foram em 1972/1973, 1982/1983, 1997/1998, 2015/2016 e em 2023/2024, conforme a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). No último, ocorreram as chuvas que devastaram o Rio Grande do Sul, com impactos também para os catarinenses, com enchentes especialmente no Vale do Itajaí.

De acordo com o Atlas de Desastres do Brasil, do governo federal, 2023 foi o segundo ano com o maior número de eventos hidrológicos de Santa Catarina das últimas três décadas, com enxurradas, alagamentos, enchentes, deslizamentos e chuvas intensas.

Esses extremos já estão mais frequentes por conta do aquecimento global e, com a temperatura do Oceano Pacífico mais elevada. Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.

As intensidades do El Niño

  • Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média;
  • Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média;
  • Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média;
  • Muito forte: acima de 2,0°C acima da média.

El Ninõ atual pode ser um dos mais intensos das últimas décadas

O último relatório do Centro de Previsões Climáticas (CPC), um organismo da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), indicou que “há 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, durante o período de outubro a dezembro” deste ano.

O evento de 2026 pode estar “entre os eventos El Niño mais importantes do registro histórico” mantido pelos cientistas desde a década de 1950, segundo o g1.

“Os impactos continuarão sendo sentidos em 2027. Aliás, os piores impactos irão ocorrer no próximo ano”, explicou o professor Ángel Adames,do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).

Super El Niño pode ocorrer no fim do ano em SC

Em 2026, o auge do El Ninõ está previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro, segundo a Defesa Civil. É nesse período que pode ocorrer a formação de um “super El Niño”, ou de um evento classificado como “forte” ou “muito forte”.

As projeções apresentadas pela Defesa Civil em maio deste ano apontavam mais de 30% de chance desse cenário se concretizar em Santa Catarina. Ainda assim, especialistas reforçam que a intensidade definitiva do fenômeno só poderá ser confirmada ao longo do ano.

Questionado sobre como a Defesa Civil classifica o cenário atual, o meteorologista Caio Guerra afirmou que o risco é considerado alto e preocupante, especialmente para o período da primavera, historicamente mais crítico em Santa Catarina. Apesar disso, ainda não é possível cravar a ocorrência de desastres climáticos no Estado.

Fonte Original | NSC Total

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