O preço de diversos produtos agrícolas deve sofrer alterações durante à intensificação do El Niño neste ano, que deve ocorrer durante os meses de novembro, dezembro e janeiro. Segundo especialistas, o fenômeno pode causar a escassez de diversos alimentos produzidos em Santa Catarina, podendo aumentar o preço de produtos mais sensíveis já nesses meses enquanto outros podem ser afetados apenas nas próximas safras.
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Anos em que o fenômeno acontece costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. De acordo com informações do Fantástico, isso acontece porque as secas, enchentes e ondas de calor, intensificadas por causa do El Niño, podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.
Todos esses problemas podem chegar ao consumidor, já que com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir. Segundo o professor de Economia e Finanças, Edivan Junior Pommerening, os estragos causados pelo fenômeno podem interferir em diversas áreas da economia:
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“O El Niño mexe principalmente com o clima e, quando ele muda, a economia sente: agricultura, energia, transporte e até o comércio podem ser afetados. No mundo, o efeito pode se espalhar pelas cadeias de produção e comércio, influenciando preços de alimentos, commodities e até a inflação de diferentes países” afirma.
Os estragos causados pelo El Ninõ interferem diretamente no valor e na procura dos alimentos produzidos, segundo o especialista.
“Se o clima prejudica uma produção, temos menos oferta disponível e, com a demanda permanecendo, a tendência é de aumento dos preços. É a velha lógica da economia: quando um produto fica mais escasso, ele tende a ficar mais caro, e o impacto pode chegar ao consumidor no supermercado. Além disso, o produtor também pode ter custos maiores com recuperação de lavouras, transporte e insumos, ajudando a pressionar ainda mais os preços” revela.
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ToggleEstragos devem afetar preços de produtos agrícolas
Segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a agricultura é um dos setores mais sensíveis aos efeitos climáticos associados ao fenômeno El Niño, já que as alterações nos padrões de precipitação e temperatura impactam diretamente no desenvolvimento dos alimentos e sua produtividade.
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Na Região Sul, o El Niño costuma estar associado ao aumento dos volumes de precipitação, sobretudo durante o inverno e a primavera, resultando em excesso de umidade no solo. Cenário que pode ser prejudicial às produções agrícolas, favorecendo a ocorrência de problemas fitossanitários, causando doenças, plantas daninhas e pragas.
Esse excesso de chuvas pode representar um desafio para os produtores de trigo e aveia na Região Sul do Brasil, principalmente durante os meses de setembro e outubro, período em que as de fases de desenvolvimento das culturas, como floração, enchimento de grãos e maturação, acontecem.
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Em períodos de atuação e intensificação do fenômeno do El Ninõ, a maior frequência ou intensidade das precipitações pode elevar o risco de excesso hídrico nas lavouras, interferindo na produção dos alimentos e na disponibilidade de vendas.
Dados históricos de produtividade da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), referentes ao período de 1996 a 2025, afirmam que a produção do trigo ficou 80% abaixo da média em períodos chuvosos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Para a aveia, esse valor ficou próximo de 60%.
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Segundo o Edivan, os impactos das chuvas e dos fatores climáticos resultantes do El Ninõ tendem a aparecer nos produtos mais dependentes das condições climáticas, como milho, soja, trigo, arroz, feijão, frutas, hortaliças e carnes. Dessa forma, esses alimentos podem sofrer alterações de preço durante a atuação do fenômeno.
“Em Santa Catarina, por exemplo, alterações na produção de milho e soja podem ter efeito também sobre a cadeia de carnes, porque esses grãos são importantes na alimentação dos animais. Ou seja, o impacto não fica necessariamente na lavoura: ele pode percorrer toda a cadeia produtiva e chegar ao preço final que o consumidor paga“
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Segundo o especialista, nem sempre o consumidor sente a alta dos preços imediatamente.
“Se a safra for prejudicada, o impacto tende a ficar mais forte nos meses seguintes. O El Niño pode começar a pressionar os preços agora, mas a conta mais pesada pode aparecer na próxima safra, dependendo da intensidade dos danos” afirma.
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Além disso, os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Os resultados do fenômeno também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução.
“Quando eventos climáticos provocam enchentes, deslizamentos ou danos à infraestrutura, o poder público precisa direcionar recursos para reconstrução de estradas, pontes, escolas e outros serviços. Esse dinheiro precisa sair de algum lugar e, muitas vezes, significa remanejar o orçamento, deixando menos recursos disponíveis para outras áreas ou aumentando a necessidade de financiamento público. Por isso, um fenômeno climático pode gerar uma conta econômica que vai muito além do prejuízo imediato: afeta empresas, famílias e também os cofres públicos” afirma o especialista.
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No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada, segundo o Fantástico. Cerca de R$ 700 milhões foram gastos em obras de reconstrução e, dois anos depois, a estrada ainda permanece em obras.
O El Niño em 10 passos









Em SC, Super El Niño deve chegar ao auge no fim do ano
Em 2026, o auge do El Ninõ está previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro, segundo a Defesa Civil. No entanto, especialistas reforçam que a intensidade definitiva só poderá ser confirmada ao longo do ano.
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Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média. Em 1982 e 1983, o mundo foi surpreendido pelo que até então era o maior El Niño já registrado, segundo informações do Fantástico.
Entretanto, pesquisadores acompanham agora a formação de um possível “Super El Niño”, fenômeno que pode superar os estragos causados naquela época. Questionado sobre como a Defesa Civil classifica o cenário atual, o meteorologista Caio Guerra afirmou que o risco é considerado alto e preocupante, especialmente para o período da primavera, historicamente mais crítico em Santa Catarina. Apesar disso, ainda não é possível cravar a ocorrência de desastres climáticos no Estado.



