“Nunca estamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos”, a reflexão de Sigmund Freud sobre o preço do vínculo

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Frase do dia da psicologia Sigmund Freud

Toda pessoa que ama alguém está exposta a uma perda que não pode controlar. É uma constatação banal enquanto nada acontece, e é a coisa mais concreta do mundo quando acontece. Quem já perdeu sabe que o tamanho da dor foi definido antes, no tamanho do vínculo.

Sigmund Freud (1856 a 1939) formulou isso em 1930:

Nunca estamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos.

A citação está em “O Mal-Estar na Civilização”, ensaio que Freud publicou aos 74 anos, já doente e a menos de uma década da morte, no exílio em Londres.

O livro parte de uma pergunta prática: como as pessoas tentam evitar o sofrimento. Freud lista as estratégias disponíveis, e trata cada uma como uma tentativa razoável com um preço embutido. O isolamento voluntário protege, mas empobrece. A intoxicação funciona, mas cobra caro. O trabalho absorve, mas não sustenta sozinho.

A frase sobre o amor aparece no meio dessa lista, quando ele examina a estratégia de buscar a felicidade no vínculo com outra pessoa. É a mais atraente de todas, e é a que expõe mais.

Freud não para na constatação. Ele segue até a consequência, que é a parte quase nunca citada: reconhecendo o risco, muita gente escolhe reduzir a intensidade dos vínculos como forma de proteção. Espalhar o afeto entre muitas pessoas em vez de concentrá-lo em uma. Investir em causas ou em trabalho em vez de em alguém.

E ele não descreve isso como covardia. Descreve como cálculo compreensível, feito por gente que já foi ferida. O que ele nota é que o cálculo raramente sai barato: a mesma operação que reduz a exposição à perda reduz a intensidade do que se pode sentir. Não existe a versão do vínculo que dá o retorno sem a exposição, porque são a mesma coisa vista de dois lados.

Por isso o texto não termina em consolo. Termina numa escolha entre dois custos, sem indicar qual é o melhor.

Quase cem anos depois, o vocabulário mudou de novo. Fala-se em apego, em vulnerabilidade, em blindagem emocional. A formulação de Freud continua sendo a que diz a coisa mais desconfortável: a proteção existe, está disponível, e o que ela cobra é exatamente aquilo que se queria proteger.

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Fonte Original | NSC Total

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