Narval tem um dente de 3 metros que cresce como uma hélice

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Narval tem um dente de 3 metros que cresce como uma hélice

O famoso “chifre” do narval é, na verdade, uma presa que pode atingir três metros de comprimento. Agora, pesquisadores descobriram como essa estrutura consegue ser espiralada e, ao mesmo tempo, surpreendentemente reta.

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O segredo está na composição do dente. Exames em três dimensões mostraram que dois tecidos formam espirais em sentidos opostos, um detalhe que ajuda a explicar uma das estruturas mais incomuns encontradas na natureza.

O famoso chifre do narval é, na verdade, um dente. E sua estrutura esconde duas espirais que giram em sentidos opostos. – Imagem: dottedhippo/iStock

O estranho dente do “unicórnio do mar”

A presa cresce a partir do canino esquerdo dos machos. Ela atravessa a mandíbula e o lábio superior até ficar completamente exposta. O canino direito não segue o mesmo caminho e permanece dentro do crânio.

A aparência incomum alimentou uma história curiosa: na Idade Média, essas presas eram vendidas como chifres mágicos de unicórnios.

Henrik Birkedal, químico da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e autor principal do estudo publicado na Nature Communications, deu uma ideia de como seria carregar uma estrutura dessas durante os mergulhos.

“Imaginem ter que andar de bicicleta com uma vassoura amarrada à cabeça”, disse Birkedal.

Duas espirais em sentidos opostos

Para chegar ao resultado, a equipe recorreu a técnicas de imagem tridimensional por raios X em três aceleradores de partículas europeus, conhecidos como síncrotrons.

A presa tem dentina na parte interna e cemento na camada externa. Foi justamente aí que apareceu a pista para solucionar o enigma:

  • A dentina forma uma espiral que gira para a direita.
  • O cemento forma uma espiral que gira para a esquerda.
  • Os dois padrões atuam em conjunto na formação da estrutura reta.
  • O mecanismo ajuda a explicar por que a presa não apresenta a curvatura observada em estruturas como as presas dos elefantes.

Imaginem que vocês estejam parafusando um parafuso em um pedaço de madeira e que, a cada volta, o parafuso penetre mais profundamente.

Henrik Birkedal, químico da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e autor principal do estudo, em nota.


No narval, explica o pesquisador, ocorre o inverso: o “parafuso” avança para fora da cabeça.

O que a presa revela sobre o narval?

As análises trouxeram outra descoberta. Dentro das presas existem camadas de crescimento semelhantes aos anéis das árvores. Elas podem ajudar os pesquisadores a investigar a história de vida dos animais, que podem chegar aos 80 anos.

A equipe examinou presas preservadas em museus e exemplares obtidos por inuítes da Groenlândia, que caçam narvais para alimentação.

Ainda falta, porém, responder a uma pergunta: para que serve exatamente essa enorme estrutura?

Existem hipóteses de que ela seja usada na caça ou para perceber mudanças na temperatura e na salinidade da água. Os autores do estudo consideram essas possibilidades menos prováveis porque a presa cresce quase exclusivamente nos machos.

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Casal de baleias narval
Um único dente pode chegar a três metros de comprimento e ainda manter uma forma reta, apesar do padrão espiralado. – Imagem: dottedhippo/iStock

Uma ferramenta para conquistar parceiras?

Há uma pista diferente. Pesquisadores já observaram dois machos aparentemente comparando suas presas diante de uma fêmea. O comportamento pode estar relacionado à demonstração de dominância ou à atração de parceiras.

Mads-Peter Heide Jorgensen, coautor da pesquisa e pesquisador do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia, aposta nessa explicação.

“Essa é, sem dúvida, a função mais provável da presa”, afirmou.

Martin Nweeia, especialista em presas de narval da Universidade Harvard e que não participou do estudo, tem outra interpretação. Para ele, a estrutura pode funcionar principalmente como um sofisticado órgão sensorial.

Apesar da discordância sobre sua função, Nweeia avaliou a pesquisa como “mais uma valiosa contribuição para o conhecimento da microanatomia e da morfologia da presa do narval”.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Fonte Original | Notícias – Olhar Digital

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