Lula irá se reunir com empresários (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom, Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a decisão anunciada quarta-feira (9) pelo presidente dos EUA Donald Trump de taxar produtos brasileiros em 50% é “inadmissível”. Ainda, revelou que vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e que está disposto a utilizar a reciprocidade. As informações são do g1.
O presidente disse em entrevista exclusiva ao Jornal Nacional que a vinculação entre o aumento nas tarifas e questões judiciais internas do Brasil é algo que “um ser humano e um governo não pode admitir.”
— É inaceitável que o presidente Trump manda uma carta, sabe, pelo site dele, sabe, e começa dizendo que é preciso, sabe, acabar com a caça as bruxas. Isso é inadmissível. Primeiro, porque isso aqui tem Justiça e a gente está fazendo um processo com direito a presunção de inocência de quem é vítima. Se quem é vítima e cometeu um erro vai ser punido. Aqui no Brasil é punido — afirmou.
O presidente também declarou que o país está disposto a aplicar contramedidas previstas na chamada Lei de Reciprocidade. Sancionada em abril deste ano, a lei permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que apliquem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil.
— O Brasil utilizará a Lei da Reciprocidade quando necessário e o Brasil vai tentar junto com a OMC, com outros países, tentar fazer com que a OMC tome uma posição para saber quem é que está certo ou que está errado. A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de primeiro de agosto quando ele começa a taxar o Brasil — declarou.
— Nós entendemos que o Brasil é um país que não tem contencioso com ninguém, nós não queremos brigar com ninguém, nós queremos negociar e o que nós queremos é que sejam respeitadas as decisões brasileiras — completou.
Sobre medidas institucionais, o presidente disse que cabe ao Itamaraty decidir se medidas como a convocação da embaixadora brasileira nos EUA para consultas em Brasília serão adotadas.
Lula afirmou ainda que irá se reunir com empresários que atuam em exportações para os EUA para debater a situação, e destacou que espera que eles “estejam aliados ao governo brasileiro.” Também disse que irá procurar novos mercados para os produtos brasileiros.
— Essa é a hora da gente mostrar que o Brasil quer ser respeitado no mundo, que o Brasil é um país que não tem contencioso com nenhum país do mundo e que, portanto, a gente não aceita desaforamento contra o Brasil — disse o presidente.
Em relação a falta de proximidade com o governo americano após a posse de Trump, Lula disse que parabenizou Trump pela vitória em carta, mas que “ele não dá motivo para que a gente tenha nada para conversar com ele.”
— Ele poderia ter ligado para o Brasil para dizer da medida que ele vai tomar. Ele não mandou nenhuma carta, nós não recebemos carta. Ele publicou no site dele em uma total falta de respeito, que é um comportamento dele com todo mundo. E eu não sou obrigado a aceitar esse comportamento desrespeitoso entre relações de chefe de Estado — reforçou.
Contudo, Lula não descartou a possibilidade de, se necessário, tentar entrar em contato direto com Trump, mesmo que o americano se recuse a conversar com ele.
O presidente também minimizou uma possível influência de declarações dadas por ele durante o encontro da Cúpula do Brics no último fim de semana, no Rio de Janeiro, na medida anunciada por Trump.
Durante o encontro, o presidente dos EUA ameaçou implantar uma tarifa de 10% a qualquer país que se alinhasse às políticas do Brics, o que levou a respostas dos representantes dos países participantes, incluindo Lula.
— Queremos dizer ao mundo que nós somos países soberanos. Não aceitamos intromissão de quem quer que seja nas nossas decisões soberanas, do jeito que nós cuidados dos nosso povos — disse Lula em discurso durante o evento.
*Com informações do g1
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