Quando Christa Gail Pike entrou na câmara de execução de uma penitenciária do Tennessee, nos Estados Unidos, na noite de 30 de setembro de 2026, quase 32 anos haviam se passado desde o crime que mudaria definitivamente sua vida.
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Aos 18 anos, Pike participou da tortura e do assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos. Aos 20, foi condenada à morte. Aos 50, depois de três décadas de recursos judiciais, recebeu duas injeções letais. Mesmo assim, continuou respirando.
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Crime aos 18 anos
Pike e Slemmer estudavam no Knoxville Job Corps, programa destinado à formação profissional de jovens. Segundo o processo, Pike acreditava que a colega estava tentando se aproximar de seu namorado, Tadaryl Shipp, então com 17 anos.
Em 12 de janeiro de 1995, Pike, Shipp e uma amiga, Shadolla Peterson, atraíram Slemmer para uma região isolada do campus da Universidade do Tennessee. Conforme os autos, o trio brutalizou a jovem entre 30 minutos e uma hora.
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Através do laudo pericial, Slemmer tentou fugir mais de uma vez e sofreu diversos golpes, perfurações e cortes durante sua sessão de tortura. A causa oficial da morte foi um traumatismo craniano que rompeu seu crânio, e um pentagrama foi deixado no corpo.
Na noite de 12 de janeiro de 1995, uma colega do Job Corps, Kim Iloilo, avistou o quarteto saindo da universidade e notou que Slemmer não havia retornado. Ainda naquela noite, Pike procurou Iloilo e contou que havia matado Colleen.
Segundo o depoimento reproduzido pela Suprema Corte do Tennessee, ela descreveu partes da agressão e mostrou à colega aquilo que dizia ser um fragmento do crânio da vítima, levado como troféu.
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Pena diferente dos cúmplices
Segundo o júri, Pike foi considerada a mandante e recebeu a pior pena. A jovem foi condenada por assassinato premeditado em primeiro grau e conspiração para cometer assassinato. Sua pena foi de pena de morte com adicional de 25 anos de prisão.
Dois agravantes sustentaram a sentença capital: a tortura ou abuso físico grave da vítima e o entendimento de que o crime buscava impedir uma futura prisão ou responsabilização judicial.
Os outros dois envolvidos tiveram destinos diferentes. Tadaryl Shipp, namorado de Pike e com 17 anos na época, foi condenado por assassinato em primeiro grau e conspiração. Ele foi condenado à prisão perpétua, com os mesmos 25 anos de prisão adicionais por conspiração.
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Como era menor de 18 anos quando participou do assassinato, não poderia receber a pena de morte. Shipp continua preso no Tennessee e teve um pedido de liberdade condicional negado em 2025; uma nova audiência está prevista para 2031.
Já Shadolla Peterson, que tinha 19 anos, seguiu outro caminho judicial. Ela colaborou com as autoridades e declarou-se culpada de favorecimento após o crime, em vez de ser condenada por assassinato.

Durante as décadas seguintes, a defesa de Pike apresentou uma defesa a partir do estado psicológico da mulher e de seu histórico. Segundo os advogados, ela possui um histórico traumático marcado por traumas e abusos durante a infância, que não foi ponderado pelo júri.
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Trinta anos esperando
Durante 32 anos, diferentes recursos da Defesa mantiveram Pike no corredor da morte, mas ainda longe da execução. Em determinado momento, a própria acusada chegou a tentar abrir mão dos recursos para encerrar sua vida, mas desistiu.
Em setembro de 2026, o governador do Tennessee, Bill Lee, recusou o novo pedido de clemência às vésperas de sua execução. Caso ela realmente fosse executada, Pike seria a primeira mulher morta pelo estado do Tennessee em mais de 200 anos.
Na manhã de 30 de setembro, surgiu uma nova reviravolta. O Tribunal Federal de Apelações do Sexto Circuito suspendeu a execução para analisar uma nova disputa dos recursos da defesa.
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E, em uma nova reviravolta, poucas horas depois, a Suprema Corte derrubou a suspensão. Três magistradas da corte, análoga ao Supremo Tribunal, apoiaram a decisão.

Salva por milagre
Pike foi amarrada à maca por volta das 19h30. Antes do procedimento, afirmou estar em paz. Pouco depois, entretanto, a equipe encontrou dificuldade para aplicar a injeção de pentobarbital, realizando diversas perfurações no braço esquerdo.
Segundo Pike, por meio de seus advogados, ela sempre teve uma dificuldade para receber injeções. A medicação foi enfim injetada, mas nada aconteceu. Seguindo o protocolo que permite uma segunda injeção em caso de falha, a equipe repetiu o procedimento.
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Ainda assim, Pike continuou respirando. Testemunhas ouviram durante mais de uma hora sons semelhantes a roncos e perceberam movimentos da condenada.

Saiu viva da prisão
Por volta das 20h22, um advogado exigiu que o procedimento fosse interrompido e que um tratamento médico fosse iniciado. Pouco antes das 21h, foi informado de que uma ambulância estava a caminho.
Em vez de sair da penitenciária em um carro funerário, Pike foi levada viva para um hospital. O caso foi descrito em relatório do Death Penalty Information Center como excepcional: outras execuções por injeção já haviam sido interrompidas por dificuldades, mas não havia registro de alguém que recebeu duas doses e sobreviveu.
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Pike permaneceu em estado crítico e inconsciente, enquanto seus advogados passaram a pedir que a pena de morte fosse definitivamente convertida em prisão perpétua.



