Governo quer levar internet a 72 mil km de rodovias até 2030

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Governo quer levar internet a 72 mil km de rodovias até 2030

O governo federal lançou, nesta quinta-feira (15), uma política nacional para ampliar a cobertura de telefonia e internet móvel nas rodovias brasileiras. A iniciativa prevê levar conectividade a 72,3 mil quilômetros de estradas federais e estaduais até 2030, com uma medida central: obrigar as operadoras a compartilhar suas redes para ampliar o acesso ao sinal.

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A proposta pretende reduzir os trechos sem cobertura e permitir que motoristas e passageiros permaneçam conectados durante as viagens, mesmo quando a própria operadora não oferece serviço em determinada região. O plano também busca melhorar as condições para chamadas de emergência e ampliar o uso de serviços digitais nas estradas.

A meta inclui a expansão da cobertura em rodovias federais e a implantação de sinal em mais 42,4 mil quilômetros de estradas estaduais.

Como vai funcionar o compartilhamento de sinal?

A principal medida da política é obrigar as operadoras de telefonia a compartilhar suas redes. Na prática, isso permitirá que um cliente se conecte à infraestrutura de outra empresa quando sua própria operadora não tiver cobertura naquele trecho.

O governo espera que esse mecanismo seja responsável por levar conectividade a 13 mil quilômetros de rodovias federais e a outros 42,4 mil quilômetros de estradas estaduais.

As empresas não receberão compensação financeira específica pela cessão de suas redes. A expectativa do governo é que os custos sejam equilibrados pelos benefícios do acesso à infraestrutura das demais operadoras.

A medida busca aproveitar melhor as redes já existentes e ampliar a cobertura sem depender exclusivamente da instalação de novas estruturas em todos os trechos.

Quais rodovias serão beneficiadas?

Nas rodovias federais, a política prevê ampliar a cobertura dos atuais 27,2 mil quilômetros para 57,1 mil quilômetros. O avanço corresponde a aproximadamente 77% de toda a malha rodoviária federal do país.

O cronograma estabelece que 16 mil quilômetros de vias federais recebam sinal já em 2027. Ao final da implementação, seis rodovias federais consideradas prioritárias deverão contar com cobertura integral:

  • BR-101;
  • BR-116;
  • BR-135;
  • BR-163;
  • BR-242;
  • BR-364.


A BR-101, por exemplo, tem cerca de 4,8 mil quilômetros de extensão e conecta regiões do Nordeste ao Sul do Brasil. Nas rodovias estaduais, a meta é acrescentar cobertura a 42,4 mil quilômetros de estradas até 2030.

Operadoras precisarão compartilhar o sinal – Imagem: Sakorn saenudon/Shutterstock

Outras medidas também vão ampliar a conectividade

O compartilhamento de redes não será a única iniciativa usada para atingir as metas. A política reúne obrigações já estabelecidas em leilões, contratos e concessões de infraestrutura.

Entre elas está o leilão da faixa de 700 MHz, realizado no primeiro semestre de 2026. Como contrapartida, as operadoras assumiram o compromisso de levar sinal a 6,4 mil quilômetros de rodovias e áreas rurais.

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Outros 4,3 mil quilômetros de cobertura ficarão sob responsabilidade da Claro, como contrapartida prevista em contrato firmado com a União para adaptar os contratos de concessão de telefonia da empresa.

Além disso, futuras concessões rodoviárias deverão incluir obrigações de conectividade, com previsão de cobertura em mais 1,3 mil quilômetros.

Internet nas estradas pode facilitar serviços digitais

A ampliação do sinal deve beneficiar motoristas, passageiros e comunidades localizadas nas proximidades das rodovias. Entre os usos previstos estão chamadas de emergência, acesso a aplicativos e serviços que dependem de conexão móvel.

A conectividade também poderá apoiar sistemas de cobrança automática de pedágios, conhecidos como free flow, que permitem a passagem de veículos sem a necessidade de parar em cabines.

Outro uso citado pelo governo é a pesagem de caminhões sem paradas, recurso que pode contribuir para operações logísticas mais ágeis.

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Durante o lançamento da política, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, afirmou que o governo está reorganizando instrumentos regulatórios, tecnológicos e financeiros para ampliar a disponibilidade de internet ao longo da malha rodoviária nacional.

A expectativa é que a medida também favoreça setores, como agronegócio, logística e transportes, que dependem de comunicação e troca de dados para suas operações.

Mais iniciativas anunciadas em evento

O programa para ampliar o acesso à conectividade em rodovias foi anunciado pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, nesta quinta, durante o Wireless Mundi 2026, em São Paulo (SP).

O governo federal quer ampliar a infraestrutura digital brasileira, levar internet a regiões com pouca cobertura e atrair investimentos em data centers e inteligência artificial (IA). Essas iniciativas também foram destacadas no Wireless Mundi 2026.

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Entre as medidas apresentadas estão a instalação de internet em escolas públicas e unidades de saúde e o planejamento de um novo satélite para comunicações estratégicas. O governo também pretende ampliar o financiamento de redes de fibra óptica e fortalecer a capacidade nacional de processamento e armazenamento de dados.

Segundo o ministro, o objetivo é transformar a expansão tecnológica em benefícios concretos para a população, ao mesmo tempo em que o país cria condições para receber novos investimentos no setor de telecomunicações.

Internet de qualidade em 138 mil escolas públicas

Na área da educação, o ministro destacou a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, que tem como meta levar internet de qualidade a 138 mil escolas públicas brasileiras.

O plano de conectividade também contempla unidades de saúde, centros de assistência social e áreas rurais. Para isso, o governo pretende recorrer a diferentes tecnologias, incluindo fibra óptica, redes móveis e satélites.

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Durante o evento, Filho ressaltou a importância da conectividade para os serviços públicos de saúde, especialmente o Sistema Único de Saúde (SUS).

A ampliação do acesso à internet nessas unidades pode favorecer o uso de ferramentas digitais e a integração de serviços, segundo a abordagem apresentada pelo ministro.

Novo satélite busca reforçar a soberania digital

Outro projeto destacado foi o planejamento do segundo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-2).

A iniciativa tem como objetivos fortalecer a defesa nacional, proteger dados e ampliar a autonomia brasileira em comunicações estratégicas. De acordo com o ministro, o projeto foi incluído na agenda do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A proposta orçamentária de 2027 prevê recursos para o início dos estudos relacionados ao satélite.

Frederico afirmou que fortalecer a soberania digital não significa fechar o país à cooperação internacional. Segundo ele, o Brasil precisa continuar aberto à inovação e aos investimentos, mas também desenvolver capacidades tecnológicas próprias.

Brasil quer se tornar polo de data centers na América Latina

O potencial de atração de investimentos em data centers e IA também esteve entre os principais temas do discurso. O governo considera estratégica a ampliação da capacidade nacional de processamento e armazenamento de dados, tanto para o desenvolvimento tecnológico quanto para a proteção das informações brasileiras.

Durante o Wireless Mundi 2026, o ministro afirmou que o Brasil poderá se tornar grande polo de data centers na América Latina. A expansão dessa infraestrutura é especialmente relevante para aplicações de IA, que dependem de capacidade computacional e de estruturas para armazenar e processar grandes volumes de informações.

O ministro, porém, não detalhou valores de investimentos previstos nem apresentou cronograma específico para a implantação de novos centros de dados.

Fust e 5G também fazem parte da estratégia

O avanço das redes 5G, a modernização das telecomunicações e o financiamento de projetos de infraestrutura também foram abordados no evento.

Nesse contexto, o governo destacou o papel do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), utilizado para apoiar investimentos em redes de fibra óptica e ampliar a conectividade, especialmente em localidades com cobertura limitada.

A estratégia reúne diferentes frentes de atuação: expansão das redes, financiamento de infraestrutura, conectividade em serviços públicos e atração de empresas interessadas em investir no país.

Ao encerrar sua participação, o ministro ressaltou a importância do diálogo entre o governo e o setor produtivo para estabelecer segurança jurídica, previsibilidade regulatória e condições favoráveis à ampliação dos investimentos em telecomunicações.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Fonte Original | Notícias – Olhar Digital

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