Quando pensamos em cachorros, imaginá-los correndo atrás de um brinquedo é quase que uma ação instantânea. No entanto, você sabia que os gatos, embora sejam conhecidos como independentes, também podem gostar desse tipo de brincadeira? A prática de buscar objetos, por mais que seja associada aos cães, também é uma característica comum entre os felinos.
Recentemente, um estudo revelou que mais de 40% dos gatos observados em uma pesquisa participaram da brincadeira de buscar, em comparação com cerca de 80% dos cães. A pesquisa, que analisou os hábitos de animais de estimação, trouxe à tona várias razões pelas quais tanto gatos quanto cães podem ter esse comportamento, incluindo aprendizado e a seleção durante o processo de domesticação.
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Segundo os investigadores, a prática de buscar em cães pode ser rastreada até suas raízes evolutivas. Muitas raças foram selecionadas para ajudar os humanos na caça, com tarefas como recuperar presas. Segundo o pesquisador James Serpell, da Universidade da Pensilvânia, raças como pastores alemães, golden retrievers e labradores são alguns dos mais propensos a esse tipo de atividade, dada sua responsividade ao treinamento e interesse em brinquedos. Já raças como galgos e cães de guarda de rebanho têm menos tendência a participar dessa atividade.
Em relação aos gatos, o estudo britânico entrevistou 924 tutores de felinos e revelou que os pets preferem ser os iniciadores da brincadeira. “Os gatos não precisam ser treinados para buscar, eles simplesmente fazem”, explicou Serpell. Isso reflete uma abordagem mais espontânea e independente em comparação aos cães, que frequentemente aguardam um comando humano para começar o jogo.
A associação entre comportamento predatório e o ato de buscar é clara em ambas as espécies. Os gatos, conhecidos como caçadores que se aproximam sorrateiramente da presa, têm no ato de buscar um reflexo de suas habilidades de perseguição e captura. Já nos cães, a sequência predatória que inclui orientar, caçar e morder é ajustada por meio de gerações de seleção natural que tornaram o ato de buscar em um jogo que fortalece a ligação entre eles e os humanos.
Diferenças entre raças e temperamentos
Além das diferenças evolutivas, as raças e os temperamentos também influenciam no comportamento de buscar, indicaram os pesquisadores. Em gatos, raças como siameses, tonkineses, burmeses e bengala são as mais predispostas a essa brincadeira — associadas a níveis de atividade mais elevados e maior interação com seus tutores. Nos cães, no entanto, o treinamento e a convivência com outros animais influenciam a probabilidade de buscar além da genética.
Ambos os animais, apesar de suas diferenças, demonstraram que o comportamento de buscar não é exclusivo de um ou de outro. O estudo revelou que viver com um cachorro diminui a probabilidade de gatos ou cães participarem dessa atividade, o que os cientistas acreditam ser um indicador de que a competição natural entre eles pelo foco humano atrapalha a relação.
Em última análise, os pesquisadores ressaltaram que os gatos, mesmo que em menor proporção, também podem adorar buscar brinquedos para seus humanos. Esses achados abrem novas discussões sobre a complexidade da relação entre nós e nossos animais de estimação, mostrando que até os comportamentos mais simples podem revelar traços profundos da nossa história de convivência com essas espécies.