Frase do dia de Albert Einstein: “Eu vivo naquela solidão que é dolorosa na juventude, mas deliciosa nos anos de maturidade” – o ensinamento do físico que permanece atual

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Aos 22 anos, um sábado à noite sem convite parece um veredito. A pessoa olha para o celular, vê as fotos de todo mundo em algum lugar e conclui que há algo errado com ela.

Aos 50, o mesmo sábado sem convite costuma ter outro nome: folga. A casa em silêncio, o livro parado na página 40, ninguém para responder. O que antes doía passou a ser buscado.

Albert Einstein descreveu essa virada em uma frase de 1936: “Eu vivo naquela solidão que é dolorosa na juventude, mas deliciosa nos anos de maturidade”. Não é uma teoria. É um autorretrato.

Quem foi Albert Einstein antes desta reflexão?

Einstein nasceu em 14 de março de 1879, em Ulm, no sul da Alemanha. Em 1905, trabalhando como examinador de patentes em Berna, publicou os artigos que reformularam a física, entre eles o da relatividade restrita. Em 1921, recebeu o Nobel de Física, pelo efeito fotoelétrico, e não pela relatividade, segundo os registros da Fundação Nobel.

Em 1933, com a chegada de Hitler ao poder, deixou a Alemanha em definitivo e se instalou em Princeton, nos Estados Unidos, onde ficaria até morrer, em 18 de abril de 1955. O texto “Self-Portrait” foi escrito em 1936, três anos depois da mudança, no mesmo ano em que sua mulher, Elsa, morreu.

A frase não é uma queixa. No mesmo texto, Einstein diz que ninguém enxerga direito o que é importante na própria existência, como um peixe que não sabe o que é a água, e conta que as flechas de ódio que lhe atiraram nunca o atingiram, porque pareciam vir de um mundo com o qual ele não tinha ligação.

Ele já havia descrito a si mesmo, em 1930, em Como vejo o mundo, como um “cavalo de tiro solitário”: alguém que nunca pertenceu por inteiro ao país, à família, aos amigos, e que via nisso um preço, compensado pela independência em relação às opiniões alheias. A solidão de Einstein é essa: não a falta de companhia, mas a distância interna que ele mantinha mesmo estando acompanhado.

A novidade do texto de 1936 é a mudança de sinal. A distância que na juventude parecia defeito passou a ser sentida como conforto.

Por que a solidão dói mais na juventude?

Einstein não explica, mas a frase sugere uma razão: na juventude, estar sozinho é lido como exclusão. Na maturidade, é lido como escolha. Alguns motivos aparecem com frequência:

  • A régua é externa: o jovem mede o próprio valor pelo número de pessoas ao redor.
  • A identidade ainda está em obra: sem os outros, falta espelho para saber quem se é.
  • O tempo parece infinito: cada noite sozinho é uma noite “perdida” de uma vida que se imagina longa.
  • Ainda não há obra: sem um trabalho próprio para voltar, o silêncio fica vazio.

Com o tempo, a régua se torna interna, a identidade se estabiliza e a solidão vira o espaço onde o trabalho e o pensamento cabem.

O que essa solidão não é?

A frase de Einstein não faz elogio ao isolamento. Ele viveu cercado de colegas, escreveu cartas até o fim da vida e se envolveu em causas públicas, do pacifismo à criação de universidades. A solidão de que fala é compatível com tudo isso.

Ela também não é remédio para a juventude. Dizer a alguém de 20 anos que “um dia vai gostar de ficar sozinho” não ajuda em nada. Einstein descreve o que aconteceu com ele, e o modo como aconteceu: com o tempo, sem esforço, como efeito colateral de ter construído algo próprio.

Onde a frase aparece na obra?

Em “Self-Portrait”, texto de 1936, reunido em Out of My Later Years (1950), coletânea de ensaios e discursos de Einstein publicada nos Estados Unidos. É um texto curto, e a frase está no seu fecho. A atribuição é sólida, e o ano é o correto.

Por que essa reflexão de Einstein continua atual?

Nunca a solidão da juventude foi tão exposta. O sábado sem convite hoje tem prova visual: os stories dos outros. E nunca foi tão difícil chegar à outra solidão, a da maturidade, porque ela exige um silêncio que os aparelhos não deixam durar.

A pergunta que fica não é se você gosta de ficar sozinho. É outra: você já construiu alguma coisa para a qual valha a pena voltar quando não há ninguém por perto? Porque, sem isso, a solidão continua sendo a da juventude, em qualquer idade.

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Fonte Original | NSC Total

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