Fogão de indução vale a pena? Veja como funciona, quanto consome e quais panelas usar

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Fogão por indução alia tecnologia, praticidade e um visual moderno na cozinha (Foto: Max Vakhtbovych/ Pexels)

Trocar o fogão a gás por um de indução pode mudar bastante a rotina na cozinha. Além de dispensar o botijão e a chama, o aparelho promete mais rapidez no preparo dos alimentos, facilidade de limpeza e um visual discreto.

No Brasil, a maior parte desses aparelhos é vendida como cooktop de indução, que é embutido na bancada. Há também modelos portáteis, de uma ou duas bocas, e fogões completos com forno, menos comuns.

Antes de comprar, é importante entender como a tecnologia funciona, quanto ela consome e quais adaptações exige, como a instalação elétrica e o uso de panelas compatíveis.

CComo funciona o fogão por indução

Diferentemente do fogão a gás, o modelo por indução não usa chama. Sob o tampo de vidro cerâmico ficam bobinas de cobre que, quando a boca é ligada, criam um campo eletromagnético.

Ao colocar uma panela compatível sobre a área de aquecimento, esse campo gera calor diretamente no fundo do recipiente. Ou seja, quem esquenta é a panela, e não a superfície do fogão.

Por isso, se não houver panela, ou se ela não for compatível, a boca não aquece. A maioria dos modelos detecta a ausência do recipiente e desliga sozinha.

Vantagens do fogão por indução

1. Aquece mais rápido e desperdiça menos energia

Como o calor é gerado na própria panela, quase nada se perde pelo caminho. Em testes do instituto americano de pesquisa em energia elétrica EPRI, cooktops de indução aproveitaram de 75% a 77% da energia para aquecer a água, independentemente do tamanho da panela. O fogão a gás testado ficou entre 30% e 42%, em condições de teste um pouco diferentes.

Na prática, a água ferve mais rápido e o aparelho responde quase na hora às mudanças de temperatura, o que ajuda em receitas que exigem ajuste fino do fogo.

2. Mais fácil de limpar

A superfície é lisa, sem grades nem queimadores. Depois do uso, basta esperar esfriar e passar um pano com o produto indicado pelo fabricante. Evite esponjas e produtos abrasivos, que riscam o vidro. Para resíduos grudados, use um raspador próprio para vidro cerâmico.

Como o tampo não esquenta tanto quanto uma chapa elétrica, a comida derramada também tende a queimar menos e sai com mais facilidade.

3. Mais segurança

Sem chama e sem gás, não há risco de vazamento. Muitos modelos também têm recursos como trava para crianças, desligamento automático e indicador de calor residual.

Mas atenção: a superfície esquenta, sim, com o calor que volta da panela. Logo depois do uso, o vidro pode estar quente o bastante para causar queimaduras.

Desvantagens que pesam na decisão

  • Preço: o aparelho costuma custar mais que um fogão ou cooktop a gás equivalente;
  • Panelas: nem todas funcionam, e pode ser preciso trocar parte das que você já tem;
  • Conta de luz: o gasto com gás sai, mas o consumo de energia elétrica aumenta;
  • Falta de energia: sem luz, não há como cozinhar;
  • Ruído: alguns modelos fazem um leve zumbido ou têm ventoinha audível, principalmente na potência máxima;
  • Vidro: o tampo pode riscar com o arrasto de panelas e trincar com impactos.

Quanto o fogão de indução consome?

O gasto depende da potência de cada boca, do tempo de uso e da tarifa da sua distribuidora. A conta é simples:

potência (em kW) × horas de uso × tarifa (R$ por kWh)

Por exemplo, uma boca de 2 kW usada uma hora por dia na potência máxima consome cerca de 60 kWh por mês. Na prática, o gasto costuma ser menor, porque a potência máxima é usada só por alguns minutos, para ferver ou dourar, e depois é reduzida. Confira a potência de cada boca na etiqueta ou no manual do modelo.

Cuidado para quem usa marcapasso

O campo magnético pode interferir em marcapassos e desfibriladores implantáveis. A Harvard Health, da Escola de Medicina de Harvard, recomenda que essas pessoas mantenham uma distância de 30 a 60 centímetros do cooktop, ligado ou desligado. Em caso de dúvida, consulte o médico e o manual do dispositivo e do fogão.

Como é a instalação

Como o aparelho funciona só com energia elétrica, é preciso verificar antes a estrutura da casa. Os cooktops embutidos costumam exigir 220 V, além de um circuito exclusivo com disjuntor próprio. Alguns modelos portáteis, de uma boca, funcionam em 127 V. A especificação exata varia conforme o modelo e deve ser conferida no manual.

Antes de comprar, peça a avaliação de um eletricista qualificado para conferir o quadro de energia e dimensionar a fiação e o disjuntor.

Também é preciso considerar a bancada. O recorte deve seguir exatamente as medidas do fabricante, assim como o espaço livre embaixo do aparelho para a ventilação. Sem isso, o cooktop pode superaquecer e desligar durante o uso.

Quais panelas podem ser usadas

O fogão por indução só funciona com panelas que tenham fundo magnético. O teste mais simples é com um ímã: se ele gruda no fundo da panela, ela funciona na indução.

Funcionam:

  • Panelas de ferro fundido;
  • Panelas de aço inoxidável com fundo magnético;
  • Modelos com fundo triplo identificados como compatíveis com indução (procure o símbolo de espiral na embalagem ou no fundo).

Não funcionam:

  • Panelas de alumínio, cobre, vidro ou cerâmica, a menos que tenham fundo magnético próprio para indução.

Existem discos adaptadores que permitem usar panelas comuns no cooktop, mas eles reduzem a eficiência e deixam o aquecimento mais lento.

Antes de comprar, confira

  • Se alguém da casa usa marcapasso ou desfibrilador implantável.
  • Se a rede elétrica da casa suporta o aparelho (tensão, fiação e disjuntor);
  • Quantas das suas panelas passam no teste do ímã;
  • As medidas do recorte e da ventilação na bancada;
  • A potência de cada boca e o impacto estimado na conta de luz;

Fonte Original | NSC Total

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