Filme “Antártida” levou nove anos para sair do papel e estreia nesta quinta; atrizes contam os bastidores

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filme antártida

Um crime brutal na primeira noite de uma missão de inverno, doze pessoas confinadas por meses e nenhuma chance de fuga. É essa a premissa de Antártida, suspense dirigido por Bruno Safadi que estreia nesta quinta-feira (17) nos cinemas brasileiros. Quando a jovem cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) é atacada logo na chegada à estação brasileira do Polo Sul, todos os homens da base viram suspeitos, e cabe à subcomandante Elisabeth (Andréa Beltrão) conduzir a investigação, com o apoio da médica Marina (Leandra Leal) e das outras mulheres do grupo.

Em entrevista ao NSC Total, as três atrizes falaram sobre o processo de construção do filme, a tecnologia usada nas gravações e o que esperam do público nas salas de cinema.

“Não teve cena escondida”: o elenco sabia do fim desde o começo

Em uma trama em que qualquer homem pode ser o agressor, a primeira curiosidade é se as atrizes sabiam da identidade do culpado enquanto gravavam. A resposta de Andréa Beltrão é direta, e serve como uma pequena aula sobre a diferença entre cinema e televisão.

“Esse tipo de comportamento em relação à dramaturgia, de não falar sobre o final, talvez se aplique mais à obra aberta. Novela, alguma coisa assim. Mas no filme, não. No filme você tem um arco definido”, afirmou. “Não teve cena escondida, cena confidencial. No cinema, acho que dificulta demais, não acho nem possível.”

A atriz lembra ainda um detalhe prático da rotina de set: um longa raramente é filmado na ordem em que o público vê. “É fora da ordem. Começa pelo final muitas vezes”, completou.

Um projeto de nove anos e uma união que não é automática

Antártida não mostra uma solidariedade feminina imediata entre as personagens. A aproximação acontece aos poucos, a partir dos diferentes lugares que cada uma ocupa na hierarquia da base. Segundo Leandra Leal, o ponto de partida para chegar lá foi conversa, e muita.

“O nosso processo de ensaio foi de muita conversa, eu tenho essa lembrança”, disse a atriz.

A gente falava muito racionalmente sobre o roteiro. É um filme muito físico, tem a questão do frio, tem várias questões físicas que a gente teve que trabalhar, mas acho que a gente falou muito sobre o universo.

Andréa Beltrão acrescenta que houve leituras repetidas e exercícios de preparação com o elenco. Leandra destaca que o projeto é antigo, desenvolvido ao longo de quase uma década antes de chegar às telas, o que permitiu que diretor e roteirista construíssem uma história de vida detalhada para cada personagem.

Para Marina Ruy Barbosa, a conexão entre as personagens acompanhou a conexão entre as atrizes. “Fui sentindo que, ao longo das gravações, a gente foi se conectando mais também. Nós enquanto atrizes e pessoas mesmo”, contou. “A história parte de um lugar onde cada uma tem sua função ali, e a gente acabou indo por esse caminho também instintivo. Senti que, ao longo do tempo das gravações, a gente foi se unindo e criando essa conexão e esse entendimento mais sobre nós.”

Andréa resume o método: “A gente constrói juntas. Começa mexendo no roteiro, a entender o que o roteiro quer dizer, quer apontar. Então a gente sempre, junto com o diretor e principalmente com a autora, vai construindo o que eles estão imaginando.”

O filme foi testado inteiro antes de o elenco entrar em cena

Um dos bastidores mais curiosos da produção é que a equipe técnica filmou o longa inteiro antes das gravações oficiais, testando plano a plano. A explicação, segundo Marina Ruy Barbosa, está na tecnologia de produção virtual usada para recriar o cenário antártico.

“Como era uma tecnologia muito nova, eles precisavam testar antes todos os planos, se realmente ia funcionar, para não desgastar a gente também em cena”, disse. “Para a gente chegar e o 360 estar pronto para os atores fazerem o que fosse necessário. Isso aconteceu de forma excelente. A gente não teve nenhum momento em que teve que parar por conta de um problema técnico.”

Mesmo com tudo pré-testado, as atrizes garantem que sobrou espaço para interferir. “Ainda assim, a gente teve espaço de colaboração, de acrescentar”, afirmou Andréa.

“Esse filme é para ser visto numa tela grande”

Antártida chega com exclusividade nas salas de cinema. Perguntadas sobre a importância de levar o público de volta às salas, as três defenderam a experiência coletiva.

“Esse filme é para ser visto numa tela grande. Óbvio que depois, se você quiser ver no seu celular, está ótimo, mas é uma experiência cinematográfica”, disse Leandra Leal.

Andréa Beltrão foi além e transformou a pergunta em um manifesto. “Essa experiência de ir ao cinema, abandonando o seu celular, essa invenção maldita e maravilhosa, e fazendo esse pacto cívico, coletivo, civilizatório, social, afetivo, de estar numa sala no escuro, ao lado de pessoas que você não conhece, ficar em silêncio, se deixar levar por uma história”, afirmou.

A atriz contou ainda que guarda uma frase da francesa Catherine Deneuve sobre o assunto. “Ela dizia assim: ‘Eu jamais assisti a um só filme deitada ou no sofá da minha sala. Porque aí eu não estaria assistindo a um filme, estaria fazendo qualquer outra coisa’. Ela é bem radical, mas eu acho muito bacana isso que ela fala.”

Para Andréa, o hábito se perdeu na pandemia e ainda está sendo reconstruído. “Sai do cinema, aquele burburinho. Acho que é um hábito que a gente perdeu muito. Ficou bem distante. A ida ao teatro, a ida ao cinema.”

Ficha técnica

  • Filme: Antártida
  • Direção: Bruno Safadi
  • Roteiro: Claudia Jouvin
  • Elenco: Andréa Beltrão, Leandra Leal, Marina Ruy Barbosa, Lázaro Ramos, Antonio Calloni, Tatiana Tibúrcio, Mariana Sena, Renan Monteiro, Gero Camilo, João Vitor Silva e Henrique Barreira
  • Gênero: suspense
  • Estreia: 17 de setembro de 2026, nos cinemas

Fonte Original | NSC Total

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