Existe uma fase que muitos casais atravessam e quase ninguém nomeia, mas o escritor Fabrício Carpinejar concluir em uma frase. Não há briga, não há cena, não há motivo apontável. O que há é uma redução gradual: conversas que ficam mais curtas, assuntos que deixam de ser levantados, perguntas que recebem resposta de uma palavra. Nada parece grave o bastante para ser discutido, e é justamente por isso que não se discute.
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Fabrício Carpinejar, escritor e cronista gaúcho com mais de cinquenta livros publicados, boa parte deles sobre relações afetivas, tratou desse momento em publicação no Threads.
Excesso de silêncio é decisão. Tenha medo quando o outro desiste de falar. Pode estar fazendo as malas.
A intuição está correta, e tem respaldo em pesquisa. O psicólogo americano John Gottman, da Universidade de Washington, passou décadas observando casais em laboratório e identificou quatro padrões de comunicação associados a maior risco de separação. Um deles é o que ele chamou de stonewalling, que pode ser traduzido como erguer um muro: a pessoa se retira da interação, para de responder, desvia o olhar, deixa de dar os sinais mínimos de que está acompanhando a conversa.
Só que a pesquisa acrescenta uma condição que a frase não tem, e ela é decisiva. O padrão identificado por Gottman não é silêncio em geral. É retirada durante o conflito. Um casal que passa a noite inteira quieto vendo televisão não está nesse quadro. Um casal em que uma das pessoas desliga assim que o assunto fica desconfortável, está.
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A diferença é prática e vale guardar. Silêncio confortável, em que os dois ficam calados e à vontade, é indicador de intimidade, não de risco. Silêncio de rotina, em casais com filho pequeno, jornada puxada ou cansaço acumulado, é circunstancial. O que preocupa é o silêncio que aparece sempre no mesmo ponto: quando o assunto exige alguma coisa de quem cala.
Vale registrar também o que a pesquisa diz sobre quem erguer o muro. Gottman observou que esse padrão costuma vir depois de um período longo de tentativas, e que frequentemente é resposta a uma sensação de inundação emocional, em que a pessoa se desliga porque não consegue processar mais. Não é necessariamente frieza nem decisão tomada. Às vezes é esgotamento, e isso muda a conversa que vale ter.
Nada disso transforma a frase em veredicto, e esse é o cuidado que a leitura de feed costuma dispensar. Silêncio não é prova de nada, casais atravessam períodos quietos por motivos banais, e a melhor resposta a uma dúvida dessas não é vigilância, é pergunta. Quando o distanciamento persiste e nenhum dos dois consegue abrir o assunto sozinho, a terapia de casal é o recurso que existe para isso, e procurar não significa que a relação esteja perdida.
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*Conteúdo gerado com ajuda da Inteligência Artificial e revisado por Jornalistas.



