No Jaraguá, o caminho de um atleta até o time profissional passa por um processo que começa muito antes da estreia em quadra. O clube estrutura a formação em cinco categorias, do Sub-15 ao Sub-20, com uma identidade de jogo construída de forma gradual entre elas. O Sub-20, faixa mais próxima do profissional, é a mesma disputada pelos clubes da Liga na Talentos LNF.
Quem acompanha esse processo de dentro é Fernando Oliveira, coordenador técnico e analista de dados do Jaraguá, que já foi atleta e treinador da equipe principal do clube. “O processo de formação começa muito antes de pensar no atleta como um jogador profissional. A gente precisa entender que cada idade tem uma necessidade e que existe um caminho para ser percorrido”, explica.
Segundo Fernando, um atleta de 15 anos não pode ser cobrado da mesma forma que um jogador próximo do profissional, e por isso os conteúdos são trabalhados de forma progressiva. “Não adianta simplesmente colocar o atleta para fazer um exercício. Ele precisa entender o que está fazendo, por que está fazendo e como aquilo vai aparecer no jogo”, destaca.
Os treinos são pensados a partir de situações que o jogador vai encontrar em quadra: intensidade, defesa alta e agressiva, jogo vertical, compactação, bolas paradas e jogo com o goleiro fazem parte da identidade construída ao longo das categorias. No campo individual, o clube trabalha leitura de jogo, mobilidade, finalização, capacidade de duelo e entendimento das diferentes funções.
Fora de quadra, o acompanhamento envolve treinadores, preparadores físicos, preparadores de goleiros, fisioterapeutas, psicólogos, supervisores e a gestão técnica. “A gente olha para o atleta como um todo. Não adianta ele ter uma grande capacidade técnica se não consegue lidar com as responsabilidades que o alto rendimento exige”, afirma Fernando. Entram nessa rotina questões como disciplina, recuperação, uso de celular e redes sociais, viagens e comportamento. A psicologia atua na preparação para as cobranças do alto rendimento, e a fisioterapia acompanha a rotina física do atleta, não só em caso de lesão.
O Sub-20 é a categoria mais próxima do profissional, mas para Fernando o processo não pode ser tratado como uma corrida. “O objetivo não é simplesmente fazer o atleta chegar ao profissional o mais rápido possível. É fazer com que ele chegue preparado”, diz. A transição exige adaptação a um ambiente de mais intensidade, cobrança e responsabilidade, colocando à prova tudo o que foi construído nas categorias anteriores.
Para o coordenador, o resultado desse trabalho não se mede só pelos títulos conquistados na base. “Mais importante do que formar um atleta para ganhar na base é formar um jogador preparado para o próximo nível e uma pessoa que entenda a responsabilidade de representar o Jaraguá”, resume.
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Fonte Original | Notícias – LNF



