Em 1957, Maximiliano e Iracema Garla tinham uma fábrica de biscoitos pronta para abrir em Marília, no interior de São Paulo, e nenhum nome para colocar nela.
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A solução veio pelo meio de comunicação que mandava na década: o rádio. O casal promoveu um concurso e deixou que a cidade escolhesse. Foi assim, segundo a versão contada pela própria empresa, que a marca foi batizada. A Indústria de Biscoitos Marilan Ltda. começou a funcionar em 31 de março daquele ano.
O prédio era simples. O principal equipamento era um forno parecido com os de padaria, alimentado a lenha, e manter a temperatura estável exigia alguém de olho o tempo todo. Dali saíam cerca de 300 quilos de biscoito por hora.
O primeiro catálogo tinha maria, água e sal, coco e maizena.
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ToggleAs duas primeiras décadas foram pequenas
Ao contrário do que a escala atual sugere, a Marilan demorou para crescer. Durante quase vinte anos, a operação permaneceu modesta.
A virada veio em 1976, com a inauguração de um parque industrial de 67 mil metros quadrados. Trabalhavam ali cerca de 250 pessoas.
O espaço maior trouxe junto a mudança que de fato alterou o negócio: máquinas passaram a fazer o que antes dependia de mão. A automação não só aumentou o volume, ela deu regularidade às linhas, algo que um forno a lenha nunca poderia garantir.
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O resultado apareceu na década seguinte. No início dos anos 1990, a produção chegava a cerca de 84 mil toneladas por ano, com mais de 1,3 mil funcionários.
Quando biscoito deixou de bastar
A virada dos anos 2000 abriu outra fase. Em 2001 nasceram marcas como Teens e Lev Magic Toast, ampliando o catálogo para além das linhas tradicionais.
O Magic Toast voltaria a chamar atenção mais de duas décadas depois, por um caminho que ninguém em 2001 poderia prever. Impulsionado pela circulação nas redes sociais e pelo interesse em produtos associados a uma alimentação mais leve, a torrada teve alta de 50% nas vendas em março de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo a Exame. No trimestre, o crescimento foi de 20%.
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Mas a mudança de portfólio foi bem além de um produto viral. Nos últimos anos, o grupo comprou a Casa Suíça, fabricante de bolos e panetones, a Top Cau, marca paulista de chocolates, e a Siena Alimentos, produtora do panetone Festtone, líder na região Sul.
“O mercado está mudando. Não dá para ser só biscoito hoje”, disse Rodrigo Garla à Exame. Neto dos fundadores e integrante da terceira geração da família, ele comanda o grupo desde 2019. A empresa havia se tornado sociedade anônima em 2013, estruturando conselho e governança para sustentar a expansão.
A homenagem em Pernambuco
Em 2020, o grupo construiu sua primeira fábrica fora de Marília, em Igarassu, Pernambuco, para atender Norte e Nordeste e encurtar o tempo de distribuição.
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O investimento foi de R$ 220 milhões. A unidade ocupa 30 mil metros quadrados de área construída num terreno de 250 mil, opera com quatro linhas industriais e emprega cerca de 400 pessoas.
A fábrica recebeu o nome de Iracema Fontana Garla, a mulher que, ao lado de Maximiliano, tomou a decisão de 1956.
Os números de hoje
A produção diária gira em torno de 1,2 milhão de pacotes, o equivalente a cerca de 80 milhões de biscoitos a cada 24 horas. Em Marília, as linhas funcionam sem parar, sete dias por semana.
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O portfólio passou de 200 itens e reúne biscoitos, torradas, bolos, bolinhos, chocolates e panetones, sob as marcas Marilan, Casa Suíça, Pit Stop, Lev, Teens, Top Cau e Festtone.
O grupo chega a 160 mil pontos de venda, entre canais diretos e distribuidores, e mantém cerca de 30 lojas próprias, concentradas em São Paulo.
Segundo informações divulgadas pela própria companhia, o faturamento no mercado brasileiro superou R$ 3 bilhões em 2024, e os produtos estão presentes em mais de 70% dos lares do país. A empresa também se apresenta como a segunda maior fabricante de biscoitos do Brasil.
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A exportação, embora alcance dezenas de países, ainda responde por cerca de 3% do faturamento, conforme dados apurados pela Exame. O crescimento continua sendo, essencialmente, doméstico.
Do forno às máquinas
De um lado, 300 quilos por hora saindo de um forno alimentado a lenha. Do outro, cinco unidades industriais e mais de 4,5 mil pessoas empregadas.
Entre os dois pontos ficaram quase sete décadas, um parque industrial em 1976, a automação das linhas, dezenas de lançamentos, três aquisições e uma mudança de estrutura societária.
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O forno desapareceu da rotina da indústria. O nome escolhido pela cidade no rádio, não.
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