O número de veículos na BR-282, na Grande Florianópolis, aumenta ano após ano, o número de acidentes também. Em 2025 foram 115 mortes em acidentes de trânsito. Especialistas apontam que existem diversas razões que tornam a rodovia perigosa, a falta de infraestrutura é uma dessas razões.
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Segundo as autoridades, o número de acidentes havia diminuído entre 2018 e 2023, mas voltaram a crescer a partir de 2024, foram 115 mortes, 45% a mais do que nos anos anteriores. Apenas no primeiro semestre do ano passado foram 640 acidentes, uma média de três ocorrências por dia.
O inspetor da Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina (PRF-SC), Adriano Fiamoncini, as vias do estado apresentam grande circulação de todas as maneiras e gera preocupação para acidentes:
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“Ela é extremamente movimentada e urbanizada, com trânsito intenso de pedestres e ciclistas se confundindo com motociclistas e com moradores”, falou.
O motorista, Jonas Assunção Júnior, trafega bastante pela BR-282 e comentou sobre o dia-a-dia nas vias:
“Diariamente a gente ouve sobre acidentes nessa rodovia. A gente já viu muitos acidentes, caminhão, carro, famílias que se perderam ali num acidente, então a gente se preocupa”, disse.
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ToggleInfraestrutura não comporta veículos pesados
Um dos principais pontos que alertam especialistas e aumentam o número de ocorrências é a falta de cuidado com a manutenção da pista. O Doutor em Engenharia de Transportes e diretor do Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte (Icetran), José Leles de Souza, trouxe os dados de quantos e quais veículos circulam pela rodovia:
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“O tráfego médio de veículos que trafegam por ela é relativamente alto, em torno de 10 a 12.000 veículos por dia e em média, 30 a 35%, são veículos pesados”, falou.
O motorista, Jonas, contou que trabalha de segunda a sexta-feira, a qualquer horário do dia, e que depende totalmente da BR-282. Para ele, a rodovia é sinuosa e não é possível realizar ultrapassagens pela quantidade de buracos no caminho.
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“O Pessoal acaba forçando muito a ultrapassagem pela contramão, em local proibido, na curva, aonde pode acontecer acidentes graves. Então por isso a gente tem que ter muito cuidado, pois tudo isso acaba gerando um risco maior pra nós”, disse.
Para o comandante do Corpo de Bombeiros em Santo Amaro da Imperatriz, Douglas Coelho da Silva, as ocorrências impactam na rotina do batalhão de apoio, mas a equipe esta preparada com equipamentos de resgates, como ferramentas de expansão e alergamento de estruturas e tesouras para corte.
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Além de saturar as equipes de resgate e gerar gargalos que impactam na rotina da população e na economia, a falta de infraestrutura da rodovia expõe os usuários a perigos constantes nos cerca de 100 quilômetros da estrada entre a capital e Bom Jardim da Serra.
Cruzamentos são grandes locais de risco
O comandante Douglas informou sobre as colisões laterais e frontais são os principais acidentes registrados:
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“Nós temos aqui colisões laterais, principalmente nos trechos onde temos um corte sobre a rodovia, onde o condutor precisa cruzar a via pra acessar o outro lado do município. Nós temos muitas colisões traseiras e acontecem muito por imprudência de velocidade . E as colisões frontais são as que mais causam movimentação do corpo de bombeiros”, afirmou.
José Leles concorda com o comandante e afirma que os motoristas não estão preparados para as condições das pistas, características que colocam em risco quem transita em veículos e quem precisa caminhar nos arredores da rodovia.
“Temos que lembrar que nem sempre o usuário urbano está habituado com as características da própria rodovia então nós vamos ter ali aqueles cruzamentos naquelas áreas onde se misturam as vias um risco muito significativo até mesmo por desconhecimento e por falta de prática do usuário em relação as características da rodovia”, afirmou.
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Mudanças precisam de impacto da população
Segundo O inspetor da PRF-SC, Adriano, as condições da BR-282, são as mesmas de 20 anos atrás e que estas condições afetam diretamente o aumento no número de acidentes.
“Tem gente morrendo pela falta de infraestrutura? Infelizmente, sim. Muitos pedestres acabam falecendo nesse trecho urbanizado por falta de passarela, por falta de um local seguro pra atravessar a rodovia. Muitas multas se arriscam no acostamento ou entre as faixas, por ue o trânsito está quase sempre parado. Uma coisa leva a outra”, comentou.
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Mas para que as autoridades realizem melhoria na infraestrtura das vias,é necessário que a população se manifeste.
Para o engenheiro Roberto Oliveira, qualquer mudança estrutural precisa de três fatores: interesse público, vontade política e capacidade técnica.
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“O DNITT não tem capacidade própria pra fazer projeto, então o poder do planejamento que vai antecipar problemas passou do engenheiro pro político. Enquanto não houver movimentação da população, não vai andar”, avisou.
O DNITT, comentado pelo especialista, é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, responsável pelas correções de vias no país.
*Sob Supervisão de Nicoly Souza



