A história de Elisa, personagem interpretada por Isabela Garcia em Quem Ama Cuida, também toca em uma experiência que a atriz conhece de perto. Na novela, a personagem passa semanas convivendo com dores intensas e exames sem respostas até descobrir que tem fibromialgia. Na vida real, Isabela acompanhou a própria mãe enfrentar a mesma condição.
Continua após a publicidade
“A minha mãe tinha fibromialgia. Ela sofria muito com muitas dores”, contou a atriz. “A pessoa passa por momentos difíceis de saúde, de dores absurdas, de altos e baixos. Isso mina o psicológico da pessoa”.
A experiência familiar ajudou Isabela a compreender a dimensão de uma doença que nem sempre pode ser percebida por quem está ao redor. A fibromialgia provoca dores crônicas e pode afetar diferentes áreas da vida, mas muitas vezes não aparece em exames convencionais.
A personagem de Quem Ama Cuida, Elisa enfrenta justamente essa dificuldade. Antes de receber o diagnóstico, a personagem convive com sintomas que não encontram uma explicação imediata nos exames. A trajetória reproduz uma realidade enfrentada por muitos pacientes, que podem passar por diferentes consultas e investigações até descobrir a causa das dores.
Continua após a publicidade
Fora da ficção, Daiane, de 40 anos, também conhece as consequências da síndrome. Antes da doença transformar sua rotina, ela viajava para acompanhar os artistas favoritos, pulava, cantava e cruzava cidades atrás de shows. Hoje, diz que já não consegue sequer levantar os braços para bater palmas.
“Eu não posso mais curtir um show como eu gostava”, afirma Daiane, em entrevista ao Fantástico. Há 14 anos, ela precisa passar a maior parte do tempo deitada.
Antes do diagnóstico, Daiane descrevia a sensação de ir trabalhar como se estivesse carregando uma mochila de pedra. Diante das limitações provocadas pelas dores, pediu demissão, trancou a faculdade e passou a permanecer na casa dos pais. As informações são da reportagem do Fantástico, exibida neste domingo (6).
Continua após a publicidade
A dificuldade para identificar a fibromialgia também fez parte da trajetória de Daiane. Testes de sangue, ressonâncias e ultrassons não apontavam alterações que justificassem a intensidade da dor.
A síndrome está relacionada a uma disfunção no sistema nervoso central, que altera a maneira como o organismo processa os sinais de dor. Fatores como predisposição genética, estresse emocional e infecções podem contribuir para a desregulação dos mecanismos responsáveis por controlar essas sensações.
Com o sistema de processamento da dor em constante estado de alerta, estímulos leves podem ser percebidos como intensos. A condição também pode provocar cansaço e dificuldade de concentração, enquanto os sintomas variam de pessoa para pessoa e nem sempre permanecem constantes.
Continua após a publicidade
É justamente essa dimensão menos visível da doença que Quem Ama Cuida leva para a ficção por meio de Elisa. A personagem ajuda a representar uma condição que, apesar de atingir milhões de pessoas, ainda é cercada por incompreensão.
Para quem vive com fibromialgia, a dor pode não aparecer em um exame ou ser percebida por quem está ao redor, mas interfere diretamente na rotina. Foi essa realidade que Isabela conheceu dentro da própria família ao acompanhar o sofrimento da mãe.
Desde janeiro, uma lei reconhece a fibromialgia como deficiência. O acesso à aposentadoria por invalidez, ao auxílio-doença e a outros benefícios, no entanto, depende de avaliação individual.
Continua após a publicidade
Cerca de 80% das pessoas diagnosticadas com a síndrome são mulheres. Especialistas também apontam a existência de um viés de gênero nesses números, já que homens podem ser estimulados a suportar a convivência com dores e, consequentemente, ter mais dificuldade em buscar diagnóstico e atendimento.
Em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, um grupo trabalha para ampliar a informação sobre a fibromialgia e combater o julgamento enfrentado pelos pacientes. A iniciativa busca reforçar que a síndrome não é “frescura” ou “coisa da cabeça”, mas uma condição que provoca alterações reais na forma como o corpo processa a dor.
Entre as reivindicações está a ampliação do acesso aos principais medicamentos utilizados para aliviar os sintomas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além da padronização das perícias que avaliam a capacidade de trabalho de pessoas com fibromialgia.
Continua após a publicidade
A procura por atendimento também aumentou. Nos últimos cinco anos, o SUS realizou mais de 2 milhões de atendimentos relacionados à fibromialgia. Atualmente, são mais de seis mil profissionais dedicados ao atendimento de pessoas com dor crônica.
Embora não exista um tratamento capaz de eliminar a síndrome, o acompanhamento pode ajudar os pacientes a reorganizar a rotina e lidar com as limitações provocadas pela condição.
“A gente não fala sobre eliminar e curar a fibromialgia, porque ela está posta como uma condição crônica. Então, a gente reorganiza, ressignifica”, explicou a psicóloga.



